O senador Jaques Wagner (PT-BA) voltou a criticar a decisão do Congresso Nacional que derrubou o decreto do governo sobre o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Em entrevista nesta sexta-feira (27), durante agenda em Salvador ao lado do governador Jerônimo Rodrigues (PT) e do ministro da Casa Civil, Rui Costa, o parlamentar classificou a decisão como “estranha” e disse que houve quebra de um acordo entre o Executivo e a base aliada no Legislativo.
“O que causou estranheza foi que fizemos uma reunião num domingo, na Residência Oficial, com os presidentes da Câmara e do Senado, o ministro Fernando Haddad, a ministra Simone Tebet e suas equipes, além de lideranças da base do governo. Estavam presentes cerca de sete senadores e nove deputados. Todos saíram satisfeitos com o resultado”, relatou o senador.
Segundo Wagner, da reunião partiu a decisão de retirar o primeiro decreto sobre o IOF para formular um novo texto, considerado mais equilibrado, além do envio de uma medida provisória com outras propostas voltadas ao equilíbrio fiscal.
“Por isso, quando na quarta-feira da semana seguinte o acordo foi derrubado, sem nenhuma conversa prévia, foi uma surpresa. Só quem pode explicar são aqueles que tomaram essa decisão. Foi uma quebra unilateral de um acordo construído com muito diálogo”, criticou.
Wagner destacou que esse tipo de ruptura compromete a confiança entre os Poderes e dificulta futuras negociações.
“Quando você negocia esperando o cumprimento de um acordo, e ele é rompido, é constrangedor. Mas vamos seguir em frente. A vida segue como está se apresentando”, afirmou.
Questionado sobre a possibilidade de o governo entrar na Justiça para reverter a decisão do Congresso, Wagner disse não ter conhecimento de qualquer ordem presidencial nesse sentido, mas confirmou que o tema está sendo discutido internamente.
“Se o presidente Lula autorizou a judicialização, eu não tenho essa informação. O que sei é que há uma reunião marcada para a próxima semana exatamente para discutir que postura o governo vai adotar diante do ocorrido”, finalizou.
*Com redação de Yuri Abreu
