Por Redação- Foto Redes sociais
A Polícia Civil esteve em três endereços em busca de Marlon da Silva Oliveira, mas ele ainda não foi encontrado.
O policial militar Marlon da Silva Oliveira, suspeito de matar um adolescente e atirar contra um jovem, em Salvador, é considerado foragido. A Justiça decretou a prisão preventiva dele nesta sexta-feira (6). A Polícia Civil informou que já esteve em três endereços a fim de achar Oliveira, mas até o momento o soldado não foi localizado.
O crime ocorreu na madrugada do último domingo (01), no bairro de Ondina. Como mostra o vídeo filmado por uma testemunha, Marlon rendeu Gabriel Santos Costa, de 17 anos, e Haziel Martins Costa, 19, xingou e agrediu os dois e também disparou mais de 10 tiros contra os adolescentes. Gabriel não resistiu e morreu na hora. O jovem Martins foi levado para uma unidade de saúde, onde permanece internado em estado de saúde grave, ele foi atingido no abdômen, braço e antebraço.
O PM admitiu ter atirado contra os meninos quando prestou depoimento à polícia, mas alegou que agiu em legítima defesa. De acordo com ele, os dois tentaram assaltá-lo. Mas a Polícia Civil não aceitou essa justificativa. Os investigadores estão colhendo depoimentos e provas para esclarecer a motivação do crime.
A Polícia Militar instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar o caso e afastou Oliveira das atividades operacionais. A corporação havia realocado o soldado para a área administrativa até o fim das investigações.
Nas imagens gravadas por uma testemunha, é possível ouvir que o suspeito xingou e agrediu as vítimas. Depois, mandou que os rapazes colocassem o rosto no asfalto e as mãos na cabeça. Eles obedeceram às ordens do suspeito, que fez uma espécie de revista. Mesmo rendidos e sem apresentar nenhuma relutância, os dois foram atingidos com mais de 10 tiros.
Após balear os jovens, o homem entrou no carro branco que aparece no vídeo e deixou o local.
Marlon da Silva Oliveira trabalhava na 9ª Companhia Independente da Polícia Militar, no bairro da Boca do Rio, não estava fardado, nem usava o carro da corporação. Ele alegou legítima defesa em depoimento à Polícia Civil e afirmou que os jovens tentaram assaltá-lo. A mesma narrativa foi usada pela namorada do policial, que não teve o nome divulgado.
A namorada do policial é uma das 8 (oito) testemunhas que foram ouvidas pelo Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Mas a Polícia Civil não aceitou a justificativa e iniciou a sentença de prisão preventiva do suspeito. O advogado Otto Lopes, que defende o casal, preferiu se abster e disse que não vai se manifestar para a imprensa até que as investigações sejam concluídas.
A família da vítima que não resistiu, o jovem Gabriel, pede a quebra de sigilo do celular do suspeito. O corpo dele foi sepultado na tarde de segunda-feira (2) e houve muitos pedidos de justiça. Marlene Santos, mãe de Gabriel, disse que soube da tragédia quando recebeu uma ligação por volta das 3h30 da madrugada de domingo. Ela disse que ainda não sabia que o jovem tinha sido assassinado naquele momento, e nem que o homicídio havia sido gravado por uma testemunha.
A mãe do adolescente prestou depoimento na terça-feira (3), na sede da Delegacia de Proteção à Pessoa (DHPP), e também cobrou soluções. “Com aquela imagem [do crime], ninguém tem mais dúvida. Ele [o policial que atirou] tem que falar o que ele fez e porque ele fez. Meu filho foi executado. Foi muita maldade, eu nunca imaginei que isso fosse acontecer comigo. Eu tinha pena das mães [que perdem os filhos] e agora estou no meio delas”.
Com medo, o pai da vítima preferiu não se identificar , mas afirmou que o filho não era envolvido com a criminalidade. Ele contou que, dias antes de morrer, o adolescente foi apreendido por ter xingado um policial militar e foi acusado de desacato, mas o jovem foi liberado logo em seguida.
A mãe de Haziel falou com a emissora na quinta-feira (5). Emocionada, Kelly Martins cobrou a prisão do soldado. “Meu filho ainda se encontra em estado grave. Eu quero justiça, eu estou clamando por justiça. Cadê o governador do estado? Cadê o [secretário de] Segurança Pública? Eu estou clamando por isso, quero esse homem preso”.
A Secretaria de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA) informou por uma nota que a PM instaurou um processo administrativo disciplinar, enquanto a Polícia Civil abriu inquérito para esclarecer a motivação e a dinâmica do crime. A PC tem 30 dias para concluir esse inquérito, que deverá ser analisado pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA). O órgão acompanha o caso.
A delegada responsável pelas investigações, Zaira Pimentel, pediu a prisão preventiva do suspeito ainda na noite de segunda (2), mas a Justiça não analisou a solicitação no plantão judiciário por entender que não havia urgência. Com isso, o PM foi liberado, pois já havia passado o prazo para decretação de flagrante. Quando a Justiça apreciou o pedido e determinou a prisão, na sexta (6), o suspeito já havia dado fuga e não foi encontrado.
A Polícia Militar da Bahia informou que o agente foi afastado das ruas e teve a arma recolhida. Oficialmente, o agente foi realocado para a área administrativa até o fim das investigações da Polícia Civil, que está em posse do revólver.
