Durante agenda internacional em Barcelona, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um apelo direto à Organização das Nações Unidas para que tenha uma atuação mais firme diante dos conflitos globais.
Neste sábado (18), Lula afirmou que a entidade não pode se manter inerte diante do cenário atual e sugeriu ao secretário-geral António Guterres a convocação de reuniões emergenciais com foco na retomada da paz.
“A ONU não pode ficar em silêncio e assistir ao que está acontecendo no mundo”, declarou. O presidente também cobrou uma postura mais ativa dos países que integram o Conselho de Segurança. “Os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU devem se reunir para mudar seu comportamento. Não podemos acordar todas as manhãs e ir dormir à noite sempre com uma mensagem de um presidente ameaçando o mundo, declarando guerras”, disse.
Sem citar nomes diretamente, Lula criticou atitudes unilaterais de líderes globais. “Nenhum presidente de nenhum país do mundo, por maior que seja, tem o direito de impor regras a outros países. Nenhum”, afirmou.
O chefe do Executivo brasileiro ainda destacou que a ONU continua sendo uma ferramenta importante nas relações internacionais, mas precisa funcionar melhor. “A ONU é um instrumento muito valioso se funcionar bem”, pontuou, ao defender mudanças no modelo atual da organização.
Segundo ele, o mundo vive hoje um dos momentos mais tensos desde a Segunda Guerra Mundial, com um número elevado de conflitos armados. Lula também chamou atenção para o funcionamento do próprio Conselho de Segurança, criticando decisões isoladas e o uso frequente do poder de veto.
“Se não discutirmos isso, nada vai mudar. A tendência é que a situação piore”, avaliou, ao alertar para os riscos do aumento do extremismo e da falta de diálogo entre os países.
Durante o discurso, o presidente também comentou a situação de Cuba, defendendo o fim de bloqueios que afetam o país. “É preciso acabar com esse bloqueio a Cuba e deixar que os cubanos vivam suas vidas. Não dá para ficarmos calados diante disso”, disse.
Lula concluiu afirmando que, apesar das dificuldades, os problemas internos de cada nação devem ser resolvidos pelos próprios povos. “Cuba tem problemas, mas é um problema dos cubanos; não é do Lula, nem de outros líderes. É um problema do povo cubano”, completou.
