
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, defendeu nesta quinta-feira (15) a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos em casos de crimes hediondos. Em entrevista à jornalista Renata Lo Prete, nos Estúdios Globo, no Rio de Janeiro, ele também cobrou a apuração de denúncias envolvendo ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e comentou a relação comercial do Brasil com os Estados Unidos.
“O meu pensamento, enquanto cidadão brasileiro, todo e qualquer crime hediondo, eu sou favorável a diminuir a pena. Para crimes hediondos. Eu sou a favor, sou a favor”, afirmou Lula ao ser questionado sobre o tema, que está em discussão no Congresso.
Lula cobra apuração de denúncias contra ministros do STF
Questionado sobre suspeitas de envolvimento de ministros do Supremo com Daniel Vorcaro, ex-banqueiro e dono do Banco Master, atualmente preso, Lula defendeu que as denúncias sejam investigadas. O presidente afirmou que já conversou três vezes com Edson Fachin, presidente da Corte, para cobrar providências.
“Nem os ministros da Suprema Corte estão isentos de passar para a sociedade a ideia de ética, a ideia de probidade. Ou seja, não é possível que apareçam na Suprema Corte tantas denúncias. A sociedade brasileira precisa que isso seja apurado. Eu já conversei três vezes com o presidente [do STF, Edson] Fachin, dizendo que é importante que ele, enquanto for presidente, faça a apuração que tiver que fazer e que julgue”, declarou.
Sobre sua reunião com Vorcaro, Lula afirmou que é procurado por “todos os que estão com problema” e defendeu a atuação técnica do Banco Central, que, segundo ele, levou à liquidação do Banco Master no fim do ano passado.
Negociação com os EUA e combate ao crime organizado
Ao falar sobre a relação com os Estados Unidos, Lula disse preferir negociar com o presidente Donald Trump, mas não descartou medidas de reciprocidade diante das tarifas impostas pelo governo norte-americano. Ele também rejeitou a classificação do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas pelos EUA e afirmou ter proposto uma parceria ao governo Trump para combater o crime organizado.
Na área de segurança pública, o presidente defendeu ampliar a atuação do governo federal no enfrentamento às organizações criminosas por meio da PEC da Segurança Pública.
Economia, dívidas e Bolsa Família
Lula afirmou que o crescimento econômico é o melhor caminho para equilibrar as contas do governo e reconheceu preocupação com o aumento da dívida pública. Sobre os programas de renegociação de débitos lançados por sua gestão, disse que eles prestam um “favor extraordinário” às pessoas endividadas e representam um “recomeço” capaz de ajudar a “reativar” a economia brasileira.
Questionado sobre o anúncio de um reajuste do Bolsa Família às vésperas da eleição, Lula disse que não sabia que o benefício havia passado quase quatro anos sem correção de valor. O presidente também assumiu a responsabilidade pelas dificuldades e pela rejeição ao governo, afirmando que não pode transferir a culpa a outras pessoas.