
Depois de umas boas férias a Confraria do Notícias da Bahia voltou para cobrar menos demagogia nos discursos e mais responsabilidades nas ações.
Lula na Bahia e o show de humilhação com a imprensa
A cobertura da imprensa sobre a passagem do presidente Lula pela Bahia tem sido uma verdadeira experiência de humilhação para a imprensa local. A começar pela rotineira falha do sistema de credenciamento. Quem consegue um mísero pin, ganha o prêmio de assistir ao ato de bem longe do presidente e de longe dos demais políticos que poderia render algum assunto. Os atrasos, claro, são um lembrete “gentil” de que o tempo dos outros é mero detalhe. Repórteres perdem um plantão inteiro numa agenda presidencial para falar com poucos que se aventuram vim atender os gritos convidativos dos jornalistas nas grades. As queixas poderiam ser apenas de uns pobres mortais jornalistas. Mas tem muitos deputados e deputadas que estão esgotados com o destrato da organização do evento. Mas a eleição vem ai e a união faz a força e a imprensa nessas horas é importante para democracia alheia.
Alô você
O jornalismo brasileiro alcançou um novo patamar: agora, a verdade é apenas um detalhe chato entre uma fake news e outra. Nosso mais novo celebridade da imprensa, famoso por atalhos duvidosos e premiado com um programa de TV como punição, resolveu atirar uma turista da janela de um hotel… virtualmente, claro. Enquanto repórteres sérios suavam para apurar o fato, ele já tinha a versão pronta: mentira bem embalada, curtidas garantidas. Critérios jornalísticos? Coisa do passado. Hoje o que vale é o ibope, e que se dane o sofrimento alheio. O pior é que o público, sempre reclamando da qualidade, é o mesmo que devora esse lixo com sofreguidão. Afinal, por que investigar quando se pode inventar? E as emissoras, preocupadíssimas com a verdade, só pensam nos números — porque lucro e vergonha na cara não combinam mesmo.
Verdade seja dita, empresário reclama demais de bolso cheio
Eis que após uma justa crítica feita pelo humorista Tiago Banha, sobre as constantes quebras de trios no carnaval de Salvador, algo que não é novidade deste ano, o empresário Kalunga, com 40 anos de mercado, disse que o problema é que o preço do aluguel do equipamento “não é vantajoso, não é rentável”. Resumindo a máxima da maioria dos empresários no Brasil – só quer colher sem plantar. Kalunga já deu a deixa. Artistas, se preparem que ano que vem a bocada vai ser grande no bolso de vocês. Mas também não reclamem. Vocês abocanham demais da prefeitura e do governo para tocarem. Então tá tudo certo… entre vocês.
Calma senador
Será que o senador Jaques Wagner iria gostar que seu candidato a vice na sua chapa quando disputou o executivo estadual fosse confirmado pelos seus senadores aliados na época? Wagner é inegável que você tem história na política baiana. Mas não se aposente maculando-a com decisões e posições atabalhoadas. O senhor é grande e que continue assim até a sua aposentadoria política.
Mas num ponto Wagner está certo
Pelo menos, dessa vez eu concordo com o senador Jaques Wagner quando ele questionou a falta de cordialidade do prefeito Bruno Reis com o presidente Lula. Bruno que reclama muito mais do que Jerônimo do tal palanque político que não acabou desde de 2022, se comportou feio de cima do mesmo palco. Não custava nada, mesmo estando trabalhando como ele alegou, não custava nada ter o momento de cordialidade com o presidente em seu camarote ou até mesmo no camarote do governo do estado. Enfim, foi grosseria e ponto final. É a velha política sendo repetida por novas figuras.
Carnaval, festa para uns e sofrimento para outros
O Carnaval da Bahia e principalmente em Salvador segue firme em sua tradição mais antiga: poucos ricos brindando seus enormes ganhos nos camarotes enquanto a multidão preta e pobre se desdobra para ganhar mixaria. Lá estão as ambulantes, as catadoras de latinha, as cordeiras — todas suando a camisa por diárias que mal pagam um bom protetor solar. Elas porque as mulheres predominam essas categorias. O povo, claro, aguenta sol, chuva, xixi na rua, pé inchado, assédio, fome e sede, tudo para garantir o sustento — e ainda ouve que “sem eles não há festa”. Pois que a festa, então, comece a pagar o justo por tanto suor e sofrimento. Ou será que alegria de pobre, no Brasil, sempre tem que vir acompanhada de exploração?
No carnaval o prefeito é Bruno ou Brahma Reis?
Salvador mais uma vez provou que, em troca de patrocínio, topa tudo. E do jeito que vai, 2027 pode até mudar de nome, se deixar. A Ambev, essa ilustre patrocinadora do carnaval de Salvador mais uma vez ditou o que o povo pode beber nas ruas, como se paladar fosse cláusula contratual. E a gestão municipal, sempre solícita, abaixa a cabeça, abre as porteiras e entrega o gosto individual do povo para uma única cervejaria. Não demora, e a gente vai estar curtindo nos circuitos Brahma/Ondina ou Campo Brahma atrás de trios elétricos em formato de latas do grupo. Não se espantem com o ritmo que as coisas andam no Brasil. Não se espantem se no carnaval de Salvador em 2027, a cidade amanhecer rebatizada Salvabrahma ou Brahmaldor.
A contradição de Rui em querer taxar os super ricos dando mais para eles
O então governador Rui Costa, num lampejo de genialidade protetora, resolveu “proteger” os servidores estaduais da tentação dos juros baixos. Sim, porque, convenhamos, nada mais perigoso para um trabalhador endividado do que a possibilidade de pagar menos por suas dívidas. Em janeiro de 2022, ele decretou: quem tem empréstimo no Credcesta está proibido de fazer portabilidade para outros bancos. Sim, o Credcesta ligado ao sacrossanto Banco Master. Ora, por que deixar o servidor escolher um juro menor se o Banco Master, tão gentilmente, já oferecia taxas tão generosas? Para os donos, é claro! A exclusividade de 30% da margem consignável por 15 anos é quase um ato de caridade — para o banco. Enquanto isso, os demais empréstimos, esses com concorrência livre, puderam manter a portabilidade. Coerência? Detalhe. O importante mesmo é garantir que o dinheiro do servidor continue no lugar certo, mesmo que esse lugar tenha virado caso de polícia e o banco, anos depois, terminado liquidado pelo Banco Central. Mas fique tranquilo, servidor: foi tudo pensando no seu bem-estar financeiro.
