O pastor Silas Malafaia voltou a falar sobre sua participação em atos pró-Bolsonaro e sobre a investigação em que se tornou alvo no Supremo Tribunal Federal (STF). Ele é acusado de financiar manifestações, gravar vídeos contra o ministro Alexandre de Moraes e incentivar o ex-presidente Jair Bolsonaro a produzir conteúdos contrários ao magistrado. Em entrevista à Folha, Malafaia afirmou que, caso venha a ser preso, isso representaria “a maior covardia” e uma “perseguição política e religiosa”.
O pastor criticou colegas evangélicos que se mantêm em silêncio diante do conflito com o Judiciário. “Número um, tem líderes que nunca se posicionam politicamente, não gostam… Agora, também tem um outro lado da moeda, de alguns líderes covardes, omissos, que têm medo de se posicionar por causa de retaliações”, disse. Segundo ele, alguns pastores evitam se expor porque não sabem argumentar ou preferem se resguardar: “Até o tolo, quando se cala, se acha por sábio.”
Malafaia também abordou os áudios vazados com Bolsonaro, nos quais xingou o filho do ex-presidente, Eduardo Bolsonaro, e diz que os palavrões são apenas prova de que é humano. “Nunca passei imagem de Superman evangélico ou super-santo. Tenho falhas. De vez em quando falo coisa indevida”, afirmou. O pastor nega envolvimento em sanções internacionais aplicadas ao Brasil e reforça que sempre utilizou recursos próprios da sua editora, a Central Gospel, para financiar atos bolsonaristas, sem recorrer à conta da igreja.
Sobre o futuro político, Malafaia rejeita qualquer possibilidade de candidatura em 2026: “Não sou candidato a nada, nem a quinto carimbador de condomínio. Até brinco: para eu poder ser candidato à Presidência, Deus teria que mandar três anjos da primeira instância falarem comigo. Como isso não vai acontecer, jamais penso nisso.” Ele se define como “uma pequena influência no mundo evangélico” e “uma voz profética”.
O líder religioso confirmou ainda que estará à frente de mais um ato bolsonarista na Avenida Paulista, em 7 de Setembro. “Não tenho medo de ser preso por Moraes”, disse. Malafaia também destacou sua amizade de longa data com Bolsonaro, Michelle e os filhos do ex-presidente, reforçando que é aliado, mas não alienado: “Sou aliado, não alienado nem bolsominion.”
