A Associação Brasileira de Combate à Falsificação (ABCF) alertou, por meio de nota, que a facção PCC pode estar revendendo o produto químico Metanol, antes usado para batizar gasolina, para destilarias clandestinas. Em 25 dias, o estado de São Paulo registrou nove casos confirmados e duas mortes por consumo da substância tóxica.
A ABCF suspeita que a Operação Carbono Oculto, que fechou distribuidoras de combustível ligadas ao crime organizado em agosto, levou o PCC a buscar novo mercado para seus estoques. “Ao ficar com tanques repletos de metanol lacrados e distribuidoras e formuladoras proibidas de operar, a facção e seus parceiros podem eventualmente ter revendido tal metanol a destilarias clandestinas e quadrilhas de falsificadores de bebidas, auferindo lucros milionários em detrimento da saúde dos consumidores”, afirmou a associação.
As vítimas fatais foram um homem de 54 anos, na capital paulista, e outro de 38 anos, em São Bernardo do Campo. O Centro de Vigilância Sanitária (CVS) confirmou as causas das mortes e investiga outros dez casos no estado. Autoridades suspeitam que o metanol, um solvente industrial altamente tóxico, esteja sendo usado para adulterar bebidas como gin, whisky e vodka. O CVS emitiu um alerta recomendando que a população “adquira apenas bebidas de fabricantes legalizados, com rótulo, lacre de segurança e selo fiscal”.
A investigação da Operação Carbono Oculto já havia revelado um complexo esquema de fraude em postos de combustíveis, onde o metanol importado irregularmente chegava a compor até 90% da gasolina vendida, muito acima do limite de 0,5% permitido pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). Agora, as autoridades avaliam que o mesmo produto, desviado inicialmente para adulterar combustíveis, pode ter encontrado um novo e letal destino no mercado de bebidas adulteradas.
SP registra duas mortes por intoxicação por metanol e alerta sobre bebidas adulteradas
