O ministro Cláudio Brandão, do Tribunal Superior do Trabalho (TST), manifestou-se publicamente sobre as recentes declarações xenofóbicas do ministro João Otávio de Noronha, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Durante sessão da 7ª Turma nesta quarta-feira (26), o magistrado baiano fez uma defesa contundente contra todas as formas de preconceito.
“Em uma sociedade preconceituosa, não basta não ser preconceituoso – é necessário combater ativamente o preconceito”, afirmou Brandão. O ministro caracterizou como “racismo recreativo” os estereótipos que associam baianos à preguiça, destacando que tais manifestações, mesmo quando apresentadas como humor, perpetuam discriminação.
Em sua argumentação, Brandão relembrou um caso julgado em 2014 no Paraná, onde um trabalhador foi sistematicamente chamado de “baiano” de forma pejorativa durante onze meses. Na ocasião, como relator do processo, o ministro havia citado em sua decisão uma reflexão do publicitário Nizan Guanaes: “O Brasil é o maior filho da Bahia. Quando o Brasil vai à Bahia, volta pra casa. Quando os brasileiros vão à Bahia estão na verdade visitando seus parentes, revendo as próprias raízes”.
O magistrado encerrou a manifestação reafirmando seu orgulho pelas origens nordestinas e baianas, e condenando veementemente qualquer forma de discriminação contra brasileiros, independentemente de sua origem geográfica ou condição social.
Foto: Divulgação/Anamatra
