O espetáculo musical “Nilda: Uma Mulher Retada” retorna aos palcos para uma segunda temporada entre 9 de outubro e 8 de novembro, no Teatro Vila Velha, em Salvador. A montagem será a primeira a ocupar o espaço após a reforma do teatro, um dos principais palcos da história cultural da Bahia.
As sessões acontecem de sexta a domingo, às 19h. Os ingressos custam R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia-entrada) e podem ser adquiridos pela plataforma Sympla ou na bilheteria do teatro. A temporada tem patrocínio da Prefeitura de Salvador e apoio do Banco do Brasil.
Dirigida por Marcio Meirelles, com dramaturgia de Marcos Uzel e atuação de Andrea Elia, a peça conta a trajetória de Nilda Spencer, atriz, diretora e professora que se tornou uma das referências do teatro baiano. A montagem combina fatos documentais e elementos ficcionais para apresentar diferentes momentos da vida da artista e, ao mesmo tempo, abordar transformações culturais e sociais vividas pela Bahia ao longo do século XX.
No elenco, além de Andrea Elia, estão Barbara Borgga, Caio Rodrigo, Cristiane Mendonça, Igor Epifânio, Lucas Valadares, Israel Barretto, Tato Seixas e Pandora. A música é executada ao vivo pelos instrumentistas Felipe Pires e Gabriel Caldas.
Meirelles define a montagem como um “musical de câmara”, por contar com dois músicos em cena, mas manter uma estrutura dramatúrgica característica do gênero. O diretor também destaca a utilização da Língua Brasileira de Sinais (Libras) como elemento integrado à narrativa.
“Eu venho pensando há um tempo em novas formas de inclusão, de modo que esse já é o segundo trabalho no qual eu utilizo esse recurso, ou seja, a linguagem de libras não é como uma legenda ou uma tradução simultânea, mas como parte mesmo da peça, tal qual na vida real”, explica.
Da pesquisa acadêmica ao palco
A montagem nasceu de uma pesquisa de longo prazo realizada pelo jornalista e crítico teatral Marcos Uzel. Em 2016, ele defendeu uma tese de doutorado sobre Nilda Spencer. Cinco anos depois, o trabalho foi transformado no livro “Nilda: a dama e o tempo”, publicado em 2021.
Em 2026, a biografia ganhou adaptação para o teatro e se tornou a primeira obra dramatúrgica de Uzel. O texto combina informações documentais reunidas durante a pesquisa com elementos ficcionais utilizados na construção da narrativa cênica.
“Colocar Nilda em cena torna-se relevante, sobretudo, porque faz com que permaneça viva em nossa memória essa mulher-referência, ícone de uma cultura e um dos nossos patrimônios imateriais”, afirma Uzel.
Para a atriz Andrea Elia, interpretar Nilda também significa revisitar parte da história cultural brasileira a partir da experiência baiana.
“É um nível micro que revela o nível macro, já que ela viveu a serviço do teatro e da cultura; teve sua existência perpassada pelo sonho do teatro e trabalhou por ele com afinco e dedicação, incansavelmente”, afirma.
Liberdade e transformação do teatro baiano
A trajetória de Nilda Spencer é apresentada no espetáculo em diálogo com diferentes períodos da história cultural brasileira, tendo a Bahia como cenário e eixo da narrativa.
Segundo Andrea Elia, a montagem também aborda a relação da artista com a liberdade e com a vida cotidiana em Salvador. “A peça ainda vai provocar nas pessoas um senso de urgência de liberdade, porque Nilda era uma mulher que transitava livremente pela cidade e gostava de ‘saborear a madrugada’, como ela dizia, mas hoje não podemos mais fazer isso, perdemos esse direito”, diz.
Para Uzel, as escolhas pessoais e profissionais de Nilda fizeram dela uma referência para a liberdade feminina em uma época marcada pelo conservadorismo.
“As novas gerações precisam saber disso: Nilda Spencer deu uma banana para os moralistas da sociedade baiana e, mesmo sem ter pretendido ser uma militante, virou um símbolo de liberdade feminina”, afirma o dramaturgo.
A peça também aborda a transformação do teatro baiano, especialmente a passagem do teatro amador para a profissionalização da atividade. Segundo Marcio Meirelles, Nilda e outros artistas de sua geração participaram de um processo de consolidação do teatro como profissão.
“O teatro amador era importante e potente, mas esse marco surgiu da consciência de que o que eles estavam fazendo era o desenvolvimento e o burilamento de um ofício”, explica.
Ao longo da carreira, Nilda Spencer foi a primeira mulher a dirigir a Escola de Teatro da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e participou de produções cinematográficas de diferentes vertentes, além de conciliar a trajetória artística com a vida familiar.
A montagem busca, assim, apresentar não apenas a trajetória individual de Nilda, mas também um período de transformações na cultura baiana. Para Andrea Elia, a experiência proposta pelo espetáculo pretende levar o público a refletir sobre a própria relação com a vida e com as escolhas pessoais.
“Ao saírem do teatro, as pessoas sentirão vontade de viver mais, viver suas próprias vidas com mais intensidade”, projeta a atriz.
➡️ Serviço
Espetáculo: “Nilda: Uma Mulher Retada”
Temporada: 9 de outubro a 8 de novembro
Dias: sexta a domingo
Horário: 19h
Local: Teatro Vila Velha, Salvador
Ingressos: R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia-entrada)
Onde comprar: plataforma Sympla e bilheteria do Teatro Vila Velha
Direção: Marcio Meirelles
Dramaturgia: Marcos Uzel
Atuação: Andrea Elia e elenco
