Após 11 semanas de bloqueio israelense, caminhões com suprimentos humanitários foram finalmente autorizados a entrar em Gaza no domingo (19). No entanto, segundo as Nações Unidas, nenhum alimento chegou à população até esta terça-feira (21). O diretor de Ajuda Humanitária da ONU, Tom Fletcher, alertou em entrevista à TV britânica que 14 mil bebês podem morrer nas próximas 48 horas se não receberem comida e remédios urgentemente.
O exército israelense afirmou que 93 caminhões já ingressaram em Gaza, mas a ONU revelou que toda a carga ainda está sob controle de Israel, pendente de nova inspeção. Embora o governo israelense tenha autorizado a entrada de 100 caminhões por dia, a ONU classifica o volume como “uma gota no oceano”, destacando que seriam necessários 500 caminhões diários para atender às necessidades básicas da população.
A crise humanitária tem levado aliados históricos de Israel a reconsiderar seu apoio. O Reino Unido suspendeu negociações sobre um acordo de livre comércio com o país e anunciou sanções contra colonos israelenses na Cisjordânia. A embaixadora israelense em Londres foi convocada para explicações sobre a nova ofensiva em Gaza. Em resposta, o governo de Benjamin Netanyahu afirmou que “pressão externa não desviará Israel de sua defesa”.
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O chanceler brasileiro, Mauro Vieira, denunciou a ofensiva israelense como uma “carnificina”, citando dados alarmantes: 1,9 milhão de deslocados (90% da população de Gaza) e mais de 53 mil palestinos mortos, incluindo 15,6 mil crianças. Paralelamente, o Itamaraty confirmou o resgate de 12 brasileiros e familiares, sendo seis crianças, que já se encontram na Jordânia após deixarem Gaza nesta terça.
