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ONU enfrenta EUA e pretende importar combustível para Cuba para ajuda humanitária

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Salão da ONU - Foto: Manoel Elias/ONU

 

Pela primeira vez em sua história, a ONU importará combustível para Cuba. A decisão ocorre devido ao agravamento da escassez de petróleo na ilha, reforçada pelo bloqueio dos Estados Unidos desde janeiro. A ONU busca arrecadar US$ 7,5 milhões para a compra inédita. Cerca de 20% dos cubanos dependem dessa assistência.

O representante do Programa Mundial de Alimentos (PMA) em Cuba, Étienne Labande, explicou: “Neste momento, temos cerca de 200 contêineres aguardando para sair dos portos”. O material retido inclui: kits de cozinha, painéis solares, sistemas de purificação de água do UNICEF e ajuda alimentar do PMA. Assim que os fundos forem arrecadados, levará pelo menos um mês e meio para o combustível chegar. Esta semana, a ONU também começa a usar transportadoras privadas.

O coordenador residente da ONU em Cuba, Francisco Pichon, alertou para a deterioração da situação humanitária, agravada pelo furacão Melissa. Os principais impactos incluem: mais de 96 mil cirurgias adiadas (11 mil em crianças), 32 mil gestantes em risco, 3 mil crianças com vacinação atrasada, um milhão de pessoas dependendo de água por caminhões-pipa e quase meio milhão de alunos com aulas em dias reduzidos. “A crise energética tem um impacto humanitário sistêmico e crescente”, disse Pichon.

Os idosos também sofrem intensamente, já que Cuba tem a população mais idosa da América Latina. “São pessoas que dependem de serviços e precisam de médicos para conseguir chegar aos centros de saúde”, acrescentou Pichon. Apesar da recente chegada de um carregamento de petróleo da Rússia, autorizado pelos Estados Unidos na semana passada, a situação não se alterou. A ONU afirma que o país está sem combustível suficiente há mais de três meses.