Por Redação – Foto Polícia Federal
Na manhã desta terça-feira, (10), a Polícia Federal deflagrou a “Operação Overclean“, com o objetivo desarticular organização criminosa suspeita de atuar em fraudes licitatórias, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro.
De acordo com as investigações PF, na prefeitura de Salvador, uma organização criminosa possuia forte influência sobre o secretário Municipal de Educação, Thiago Martins Dantas, com o apoio de vários envolvidos em cargos públicos.
Um esquema de fraude em um processo licitatório, liderado pelo empresário Alex Parente, culminou na contratação da empresa Larclean Saúde Ambiental pela Secretaria Municipal de Educação de Salvador. A Larclean, por sua vez, havia firmado um contrato com a secretaria, consolidando o esquema.
A Larclean foi usada como fachada pela organização criminosa para ocultar o desvio de dinheiro público e pagar propina a funcionários do governo.
Investigações apontam que Flávio Henrique de Lacerda Pimenta, funcionário da Secretaria da Educação, teria atuado diretamente no favorecimento a Larclean em um processo licitatório para contratação de empresa especializada no desalojamento e controle de infestação de pombos e morcegos.
O funcionário, em conversas interceptadas pela PF, aparece envolvido na manipulação do procedimento licitatório, orientando o secretário de Educação a retirar qualificações do processo, como a possibilidade de registro de preços, para beneficiar o esquema criminoso.
De acordo com a investigação, além de manipular o certame, Pimenta teria solicitado propina, evidenciando a prática de corrupção dentro da Secretaria da Educação de Salvador.
Em um diálogo interceptado pela PF, de dezembro de 2023, há indícios de uma negociação de propina, mas detalhes como valor e local ainda não foram esclarecidos.
O empresário Marcos Moura também é apontado como integrante da organização criminosa, em pagamentos realizados pela Prefeitura de Salvador à Larclean.
De acordo a investigação criminal, Moura atuava como intermediário entre o grupo criminoso e o secretário Thiago Dantas, cobrando o pagamento de valores devidos à empresa Larclean, sugerindo que o secretário deixasse de honrar outros compromissos financeiros da Secretaria de Educação para priorizar o pagamento à empresa.
Essas movimentações evidenciam o controle que a organização criminosa tinha sobre o processo de pagamento e, sobre a administração pública.
De acordo com a PF, no total, o grupo teria recebido R$ 67.121.847,99 da Prefeitura de Salvador por meio da Larclean, como resultado de um esquema de licitação fraudulenta e superfaturamento de preços.
O valor foi registrado no portal da transparência da Prefeitura e foi analisado pela PF como parte das investigações.
Outro nome envolvido no esquema, é o de Clebson Cruz de Oliveira, que integrava o núcleo operacional do grupo criminoso, sendo o responsável por tarefas logísticas, como o transporte e pagamento de propinas em nome dos empresários.
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Para a Polícia Federal, esse modus operandi, contribui para a manutenção das atividades ilícitas da organização, reforçando sua estrutura criminosa.
Esquema bilionário
A Operação Overclean foi deflagrada pela Polícia Federal, Ministério Público Federal, Receita Federal do Brasil e a Controladoria-Geral da União. A operação prendeu 15 pessoas envolvidas que movimentaram cerca de R$ 1,4 bilhão.
Dessa quantia, R$ 825 milhões são oriundos de contratos com órgãos públicos em 2024, tendo como principal alvo o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (DNOCS), com foco especial na Coordenadoria Estadual da Bahia (CEST-BA).
Foram cumpridos 43 mandados de busca e apreensão em cinco estados, bloqueando mais de R$ 162 milhões provenientes das fraudes. Além do dinheiro, foram apreendidos bens de luxo como aeronaves, imóveis de alto padrão, embarcações e veículos de alto desempenho. Oito servidores públicos envolvidos no esquema foram afastados de suas funções.”
