Início Internacional Oposição na Venezuela busca eleições para evitar novas ações de Trump

Oposição na Venezuela busca eleições para evitar novas ações de Trump

Trump é retirado de jantar após ameaça de ataque a tiros
aFoto: Doug Mills/Pool via REUTERS

A queda de Nicolás Maduro não trouxe a tranquilidade esperada para a oposição venezuelana. Pelo contrário: o cenário político entrou em modo de alerta máximo após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou publicamente ser ele quem “está no comando” da Venezuela. Nos bastidores, líderes opositores demonstram desconforto com o protagonismo americano e, principalmente, com a imprevisibilidade de Trump.

Parte do núcleo ligado a María Corina Machado chegou a celebrar a captura de Maduro, vista como uma operação “cirúrgica” contra o chavismo. No entanto, o clima de euforia durou pouco. As falas de Trump, colocando em dúvida a liderança de María Corina e afirmando que os EUA vão administrar o país durante a transição, acenderam um sinal vermelho entre aliados que antes viam Washington como peça-chave para a redemocratização.

O mal-estar aumentou depois que Trump afirmou que María Corina é “uma mulher legal”, mas sem o respeito necessário para liderar a Venezuela. A declaração caiu como um balde de água fria, especialmente porque a líder opositora, impedida de disputar a Presidência, foi um dos principais símbolos da resistência ao chavismo e chegou a dedicar um prêmio internacional ao republicano. Hoje, ela está em local não revelado na Europa, após deixar o país.

Enquanto isso, Delcy Rodríguez, vice de Maduro e figura histórica do chavismo, foi empossada como presidente interina com aval do Supremo Tribunal venezuelano — órgão amplamente controlado pelo regime. A decisão reforçou a desconfiança da oposição, que teme ver o poder apenas trocar de mãos dentro do mesmo grupo político, sem uma ruptura real.

A grande dúvida agora é se e quando haverá novas eleições. A Constituição venezuelana prevê votação em até 30 dias em caso de “ausência absoluta” do presidente, mas Trump já descartou esse prazo. O Supremo classificou a situação como “ausência temporária”, o que permitiria a Delcy governar por até seis meses. Para opositores, esse intervalo pode virar mais uma manobra para manter o chavismo no controle.

Diante do impasse, setores da oposição estudam recorrer à própria Constituição e buscam apoio internacional, como da União Europeia e de países da América Latina, para pressionar os EUA a transferirem o poder a um governo civil de oposição — e não ao grupo ligado a Maduro. Tudo isso é feito com cautela, já que muitos líderes ainda temem represálias do aparato repressivo que segue intacto no país.

O temor também se reflete na situação dos presos políticos. Mais de 860 pessoas continuam detidas, entre elas ativistas, militares dissidentes e até familiares de líderes opositores. Para aliados de María Corina, uma anistia ampla seria o primeiro sinal concreto de mudança real. Sem isso, dizem, a frustração segue a mesma de antes da captura de Maduro.