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Presidente da CNI critica Selic alta e impacto na indústria: “não dá para competir”

Ricardo Alban, presidente da CNI - Foto Jesus Souza

O presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Ricardo Alban, criticou nesta segunda-feira (16) o atual nível da taxa básica de juros da economia, a Selic, e alertou para os impactos dessa política monetária sobre a competitividade da indústria brasileira. A declaração foi dada durante o encontro realizado pela CNI, pela Federação das Indústrias Alemãs (BDI) e pela Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), no Senai Cimatec, em Salvador. O evento segue até terça-feira (17).

Alban comentou a previsão de manutenção ou possível aumento da Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, marcada para a próxima quarta-feira (18). Atualmente, a Selic está em 14,75% ao ano.

“Não justifica nós termos culturalmente um spread embutido na Selic tão absurdo. Nenhuma conta para mim faz sentido, por mais que existam economias que justifiquem, por mais que existam conceitos econômicos que justifiquem, mas nós pensávamos numa inflação que hoje ainda diz que a resiliência ainda está acima da meta de 4,5%, vamos falar assim, não justifica nós termos uma Selic no patamar que é três vezes maior”, afirmou.

“Não dá para competir, principalmente na indústria, que compete com o mundo. Indústria não tem fronteiras, indústria não tem características regionais, não tem características de clima, como é o agronegócio, como é serviço, ela compete com o mundo”, disse.

Segundo o presidente da CNI, o custo médio de financiamento para a indústria no Brasil gira em torno de 35% a 40%, enquanto no exterior as taxas variam entre 1% e 7%. “Isso é uma baita desvantagem competitiva. E se não imaginarmos que ainda possui em cadeias produtivas longas, vamos ver quanto isso representa ao longo de cada processo da cadeia para você financiar estoque de capital de giro, de matéria-prima, de produto acabado, de cliente, tudo isso numa cadeia.”

Ele afirmou que não vê um cenário factível de redução da Selic a curto prazo, mas fez um apelo para que o Copom não opte por elevação. “Eu espero que não sejamos tão irracionais de falar em aumentar a Selic. Eu acho que isso está fora de cogitação. O mundo está vendo, mesmo com esse estresse, digamos assim, da relação Irã e Israel, eu espero que isso não seja um motivador, mesmo porque o petróleo hoje está caindo.”

Ele também defendeu um esforço conjunto dos três poderes para conter os gastos públicos, associando essa medida a uma possível redução dos juros no mercado. “Precisamos seriamente encontrar o caminho racional da redução dos juros, não só na Selic, como também dos juros de mercado. E que, óbvio, isso passa também por uma racionalidade dos gastos.”

Alban ainda comentou sobre os chamados gastos tributários, que são incentivos fiscais concedidos a setores da economia. “Essa racionalidade não também pode ser só do Executivo. Essa racionalidade dos gastos públicos passa pelos três poderes e, óbvio, o setor produtivo dando sua contribuição, fazendo um diálogo construtivo e equilibrado para que não se olhe apenas os incentivos ou os estímulos que é dado à produção como gastos tributários.”

“No mundo inteiro esses gastos tributários existem, porque nós temos que discutir o seguinte: existe irracionalidade também nesses gastos? Vamos discutir, vamos ver se é verdade ou se não é verdade. Agora, não podemos falar em gastos tributários de uma forma tão simplória que significa que eles podem se reduzir linearmente. Porque gastos tributários não são gastos tributários. Gastos tributários são estímulos a criarem vantagens competitivas equivalentes para aquele setor, para aquela economia possa se desenvolver e aí sim criar uma condição mais favorável”, concluiu.