O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, manifestou preocupação com o novo programa de crédito consignado privado do governo federal durante a apresentação do Relatório Trimestral de Inflação. Ele afirmou que a medida parece ir na direção oposta aos esforços do BC para controlar a inflação e a atividade econômica.
Galípolo destacou que ainda existem muitas incertezas sobre os reais impactos do programa: “Não está claro se isso vai gerar crédito novo ou apenas substituir dívidas existentes, nem como isso evoluirá ao longo do tempo. Por isso, ainda não incluímos esses efeitos em nossas projeções”. O presidente do BC acrescentou que as recentes medidas do governo, incluindo o consignado privado, a isenção de IR para rendas de até R$ 5 mil e a liberação de R$ 12 bilhões do FGTS, estão pouco alinhadas com o atual momento da política monetária.
O Banco Central mantém a taxa básica de juros em 10,75% ao ano, buscando consolidar a trajetória de queda da inflação rumo à meta de 3%. O programa de consignado privado, que oferece crédito com taxas mais baixas mediante desconto em folha de pagamento, pode estimular o consumo e criar pressões inflacionárias, contrariando os objetivos do BC.
O governo defende que a medida ajudará a reduzir o custo do crédito para trabalhadores, aliviando o endividamento das famílias. Enquanto isso, o mercado aguarda para avaliar se esses estímulos fiscais exigirão ajustes na política monetária do Banco Central nos próximos meses.
Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado
