O professor Michel Gherman, coordenador do Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos da UFRJ, afirmou à coluna de Monica Bergamo que Donald Trump “traiu Netanyahu na casa dele” durante seu discurso no parlamento israelense. Para o especialista, o ex-presidente americano desautorizou publicamente o primeiro-ministro israelense ao defender a criação de um estado palestino e ao encerrar a guerra em Gaza. “Trump não falou claramente sobre a existência de dois estados. Mas quando fala de harmonia com países árabes e de um Novo Oriente Médio, é disso que ele está falando”, analisou Gherman.

O pesquisador destacou três traições principais no discurso de Trump: a ênfase na paz em vez da segurança, a exposição da dependência israelense do apoio americano e a defesa de um Novo Oriente Médio, conceito associado ao ex-premiê Shimon Peres. “Trump fala claramente que Bibi ligou para ele pedindo armas. Ele expõe a fraqueza de Israel e o desespero de Netanyahu”, afirmou Gherman, ressaltando que o resultado representa uma “clara derrota para a extrema-direita de Israel”.
Segundo Gherman, o discurso mostrou que, apesar de Trump manter seu estilo característico – “elogiou armas, usou termos como ‘limpeza'” -, alguns elementos indicam que “ele quer ir além de ser um político de extrema-direita”. O professor avalia que o fim da guerra sem anexação de Gaza, sem destruição do Hamas e com negociações diretas com o grupo representa o fracasso dos objetivos originais de Netanyahu.
Donald Trump deu ultimato a Benjamin Netanyahu para encerrar guerra em Gaza
