Início Salvador Professoras questionam dados apresentados por Bruno sobre reajuste salarial; greve está mantida

Professoras questionam dados apresentados por Bruno sobre reajuste salarial; greve está mantida

Foto: Jesus Souza

Um grupo de professoras realizou uma pequena manifestação, na manhã desta terça-feira (27), em frente a Prefeitura de Salvador, após o reajuste concedido, na semana passada, em sessão tumultuada na Câmara de Vereadores. Em coletiva no Palácio Thomé de Souza, o prefeito Bruno Reis (União) defendeu o forma a qual a gestão municipal vem tratando o assunto e fez um apelo para que os docentes voltem as salas de aula.

Uma das porta-vozes das manifestantes, a coordenadora pedagógica Denise Souza afirmou, porém, que a greve dos professores da rede municipal continuará, apesar do discurso de Bruno, que justificou o reajuste salarial concedido à categoria. Segundo Denise, a fala do gestor “é baseada em inverdades” e ignora direitos garantidos por lei.

“O prefeito diz que paga o piso, mas não paga. O salário inicial de um professor é de R$ 3.072, muito abaixo do piso nacional. Ele alega que a média salarial é de R$ 9 mil, o que não corresponde à realidade. Isso precisa ser comprovado”, disse Denise.

A educadora acusa a prefeitura de descumprir, há 13 anos, o pagamento integral do piso salarial nacional. “Estamos com uma defasagem de 58%, que é resultado de anos sem reajuste ou com aumentos inferiores ao estabelecido pela lei. Nossa luta não é intransigente: estamos dispostos a dialogar sobre a forma de pagamento. O que não aceitamos é a negação do direito”, afirmou.

Denise também criticou a omissão da gestão municipal em buscar recursos federais. “A Lei do Piso permite que prefeituras solicitem complementação ao Governo Federal, caso não consigam pagar os valores devidos. Para isso, é preciso apresentar as contas, mas o prefeito não o faz. Ele prefere manter a narrativa de que paga o piso”, disparou.

A coordenadora destacou ainda o impacto da greve, com 140 mil estudantes fora das salas de aula, e responsabilizou exclusivamente o prefeito pela paralisação prolongada. “Estamos há 110 dias tentando diálogo. A categoria, a comunidade escolar e a opinião pública sabem da verdade. Basta olhar nossos contracheques”, disse.

Por fim, Denise questionou a postura da prefeitura em relação à valorização da formação docente. “O prefeito desconsidera o plano de carreira e ignora os investimentos que fizemos em especializações, mestrados e doutorados. Ao igualar todas as remunerações, ele desestimula a qualificação e passa o recado de que professor não precisa estudar”, finalizou.