Em assembleia realizada na tarde desta quarta-feira (16), os professores da rede municipal de Salvador decidiram, por maioria, manter a greve que já dura mais de dois meses. A reunião aconteceu no Ginásio de Esportes dos Bancários, no centro da capital baiana, e contou com ampla participação da categoria.
A paralisação, iniciada no dia 4 de maio, foi motivada pela denúncia de que a Prefeitura não estaria cumprindo o pagamento do piso salarial nacional do magistério, atualmente fixado em R$ 4.867,77. Segundo o sindicato da categoria, a APLB, o valor vinha sendo alcançado com a soma de gratificações, e não no vencimento base, como prevê a lei.
Durante a assembleia, os docentes rejeitaram a proposta apresentada pela gestão municipal, que incluía uma série de benefícios e ajustes na carreira. Entre os principais pontos estavam a concessão de gratificações, a promessa de concurso público para 2025, climatização das salas de aula e pagamento retroativo a professores Reda.
Mesmo com os avanços propostos, os educadores consideraram que o pacote não atende às principais reivindicações da categoria, como o reajuste direto no salário base e a valorização profissional de forma estrutural.
Veja os principais pontos da proposta rejeitada:
- Gratificação de diretores e vice-diretores fixada em 5% sobre o vencimento;
- Manutenção da gratificação por aprimoramento (até 25%);
- Restabelecimento de gratificações em unidades socioeducativas e para servidores das ilhas;
- Realização de concurso público em 2025;
- Projeto de lei para ampliar o quadro do magistério até julho de 2025;
- Conversão de licença-prêmio em pecúnia;
- Climatização de todas as salas de aula até o fim de 2025;
- Pagamento de abono retroativo desde maio para professores Reda.
Segundo a Secretaria Municipal da Educação (Smed), Salvador possui atualmente 415 unidades escolares e cerca de 131 mil estudantes matriculados. A última atualização aponta que 138 escolas estão totalmente paralisadas, 189 funcionam parcialmente e 79 mantêm o funcionamento normal.
Uma nova assembleia dos professores está marcada para a próxima segunda-feira (21), enquanto seguem as negociações entre a APLB e representantes da prefeitura.
