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Protesto contra Meta e Google em São Paulo cobra transparência e neutralidade nas redes

Protesto contra Meta e Google em São Paulo cobra transparência e neutralidade nas redes
Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil

Centenas de manifestantes protestaram na noite de segunda-feira (19), nas proximidades das sedes da Meta e do Google, na zona oeste de São Paulo. Com o slogan “Meta, não se meta”, o ato reuniu ativistas e organizações que criticam a atuação das grandes plataformas digitais na moderação de conteúdos e seus possíveis impactos no debate público e na democracia.

Os participantes denunciaram supostos casos de censura contra ativistas, falta de transparência nos critérios de moderação e favorecimento de determinados interesses políticos na distribuição de publicações.

Durante a manifestação, representantes das entidades tentaram entregar um manifesto à Meta, empresa responsável por plataformas como Facebook, Instagram e WhatsApp. Segundo os organizadores, porém, o documento não foi recebido. A mobilização prevê o envio do texto por meios digitais, em uma ação coletiva.

“O nosso pedido é por algo que deveria ser básico, pois ferramentas como essa acabam por sustentar todo um debate público. A gente pede que seja mais transparente, a gente pede que tenha lugares para monitorar e pessoas possam acompanhar, e que haja relatórios sobre o que eles estão fazendo”, afirmou a programadora Veronica Gimenez, uma das organizadoras do ato pela ONG TravaHacker.

Ativistas criticam concentração de poder nas plataformas digitais

A soberania digital também esteve entre os temas abordados pelos manifestantes. Os participantes criticaram a concentração de dados e serviços nas mãos de grandes empresas de tecnologia, incluindo a presença dessas companhias em sistemas utilizados pelo poder público.

Para Gimenez, o poder de mercado das plataformas contribui para abusos e compromete a transparência na gestão de conteúdos que influenciam o debate público.

“Por essa ganância de monopólio, as empresas cometem abusos e não conseguem cumprir compromissos básicos de respeito ao nosso debate público e à nossa democracia. Por isso não é o primeiro e não será o último documento que direcionamos à empresa”, declarou.

A proteção de grupos minoritários e o combate à disseminação de discursos de ódio também foram destacados durante o protesto. Alguns participantes questionaram ainda possíveis desigualdades no alcance de publicações políticas e no impulsionamento de conteúdos de direita.

O ativista Thiago Torres Santos, conhecido como Chavoso da USP, afirmou que a Meta mantém uma restrição a suas contas mesmo após uma decisão judicial favorável.

“Fui banido, mesmo com ordem judicial favorável. Há 11 meses eles (Meta) não cumprem a liminar, desrespeitam as decisões do nosso sistema legal. Essas plataformas estão influenciando nas eleições de nosso país, essas empresas têm lado e não é o lado do povo”, disse.