Tradicional reduto eleitoral da esquerda, o Nordeste deixou de ser um território confortável para o Partido dos Trabalhadores às vésperas das eleições de 2026. Levantamentos recentes e análises de bastidores indicam que o PT chega ao próximo pleito enfrentando disputas internas, perda de vantagem em estados estratégicos e a necessidade de maior envolvimento do presidente Lula para reorganizar alianças.
Na Bahia, governada pelo PT desde 2007, o quadro preocupa aliados. Pesquisas apontam a liderança do ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, à frente do atual governador Jerônimo Rodrigues. Apesar do discurso de cautela adotado por integrantes do governo estadual, a avaliação interna é de que a recuperação do fôlego eleitoral dependerá de entregas concretas da gestão e da presença mais ativa de Lula no estado ao longo do ano.
O Ceará também aparece como ponto sensível para o partido. O bom desempenho de Ciro Gomes nas pesquisas para o governo estadual pressiona o PT e reacende debates sobre a manutenção da candidatura à reeleição do atual governador Elmano de Freitas. A possibilidade de rearranjos políticos e até mudanças de estratégia não é descartada por lideranças locais.
No Maranhão, o cenário é marcado por desarticulação política. O rompimento entre o governador Carlos Brandão e o vice Felipe Camarão expôs fissuras na base governista e abriu espaço para o avanço de adversários. Pesquisas indicam a liderança do prefeito de São Luís, Eduardo Braide, enquanto o PT aguarda uma eventual intervenção direta de Lula para tentar recompor o grupo.
Já no Rio Grande do Norte, a situação é considerada uma das mais críticas para o partido. A governadora Fátima Bezerra não disputará a reeleição e o nome apoiado pelo PT aparece distante dos primeiros colocados nas intenções de voto. O vácuo de liderança fortaleceu candidaturas da oposição e tornou o cenário ainda mais imprevisível.
