Percentuais sobre armas que abastecem o crime no México apontam a origem do armamento. Dados do governo mexicano indicam que cerca de 77% das armas apreendidas no país são provenientes dos Estados Unidos. Durante a gestão de Claudia Sheinbaum, foram apreendidas aproximadamente 18 mil armas de fogo, com ênfase na investigação das rotas que levam o material ao crime organizado.
Investigações conduzidas pelo Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos e pelo The New York Times identificaram a circulação de munições calibre .50 com marcações “L.C.” após um ataque de traficantes no México. As iniciais remetem à Fábrica de Munições do Exército de Lake City, instalação do governo dos EUA situada nos arredores de Kansas City e responsável pela produção de munições para fuzis usados pelas Forças Armadas do país.
A apuração analisou documentos judiciais, registros de apreensões e dados governamentais. O material indica que acordos entre o Exército e empresas privadas responsáveis pela operação da fábrica permitiram que munições e componentes calibre .50 entrassem no mercado varejista e chegassem a cartéis mexicanos.
No Brasil, apreensões também apontam a origem externa do armamento. A Polícia Federal do Brasil apreendeu armas no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro em junho de 2017, após identificar contêineres com armamento escondido em aquecedores para piscinas enviados de Miami. Estimativa do Governo do Estado do Rio de Janeiro indica que 90% do armamento que abasteceu criminosos em 2024 teve origem nos EUA, com rotas que passam por Paraguai e Bolívia antes de chegar ao país.
