O deputado estadual Rosemberg Pinto (PT) comentou, nesta quinta-feira (21), na Assembleia Legislativa da Bahia, a nova operação da Polícia Federal que envolve o ex-presidente Jair Bolsonaro e o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
“Olha, eu fiquei estarrecido com as falas de um filho com um pai. Eu jamais poderia imaginar que da minha geração alguém pudesse tratar um pai e uma mãe com palavras como eu ouvi escrito do Eduardo Bolsonaro em relação ao seu pai, Jair Bolsonaro. Independentemente das diferenças da política”, declarou o parlamentar.
Segundo Rosemberg, as mensagens expõem conflitos internos da família. “É uma demonstração de que aquele clã ali, aquela família, uma família de uma relação desestruturada, que pode tudo, o pai xingar o filho, o filho xingar o pai e a mãe. A sociedade brasileira ficou estarrecida com isso. Eu já vinha alertando.”
As declarações ocorreram após a PF concluir relatório de 170 páginas em que indiciou Jair Bolsonaro e Eduardo Bolsonaro por coação no curso do processo que investiga a tentativa de golpe. O documento reproduz trocas de mensagens entre pai e filho que revelam desentendimentos no núcleo político do ex-presidente.
Em uma das conversas, Eduardo Bolsonaro reagiu a uma entrevista em que foi chamado de imaturo pelo pai. “VTNC SEU INGRATO DO C******!”, escreveu o deputado, em referência a Jair Bolsonaro.
Em outro diálogo, Eduardo ironizou o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP). “Só para te deixar ciente: Tarcísio nunca te ajudou em nada no STF. Sempre esteve de braço cruzado vendo vc se f**** e se aquecendo para 2026”, afirmou.
Além de Eduardo, o relatório cita a atuação do jornalista Paulo Figueiredo e do pastor Silas Malafaia em tentativa de interferência no processo. Com base no documento, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou busca e apreensão contra Malafaia, além da retenção de seu passaporte e da proibição de manter contato com Jair e Eduardo Bolsonaro.
Rosemberg também fez referência às relações internacionais. “A questão da tarifa que o Trump vem implementar nos Estados Unidos é uma política de proteção da economia norte-americana que ele tem feito para vários países e continentes. O que ocorre é que no caso do Brasil, essa relação do presidente dos Estados Unidos com a família Bolsonaro levou a colocar um outro ingrediente da política, forma extremamente fora da curva, que acabou trazendo todo esse impacto contra o Brasil. Ou seja, eles enganam os brasileiros e enganam também o presidente dos Estados Unidos.”
O deputado concluiu mencionando pesquisas de opinião. “Então, eu realmente quero reafirmar e é por isso que a sociedade começou a perceber e pelas pesquisas que hoje já estão aí públicas, já demonstra a sociedade refletindo e dizendo: olha, eu prefiro Lula, certo, do que entregar o Brasil a um grupo que não tem amor pela pátria.”
