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Tecnologia permite que mulheres peçam socorro em até três segundos

Tecnologia permite que mulheres peçam socorro em até três segundos
Foto: Divulgação

Vinte anos após a criação da Lei Maria da Penha, especialistas apontam que a proteção da mulher exige mais do que canais de denúncia, requer resposta rápida, ações coordenadas e integração entre diferentes estruturas de atendimento, tecnologia e segurança. Quanto menor o tempo entre o pedido de ajuda e a atuação de equipes responsáveis, maior tende a ser a efetividade das medidas protetivas.

No Brasil, a maioria dos feminicídios é cometida por companheiros e ex-companheiros e ocorre dentro da própria residência da vítima. Nesses casos, a discrição no acionamento do socorro pode ser determinante para preservar vidas. Nesse cenário, a tecnologia tem ganhado relevância estratégica no enfrentamento da violência doméstica.

A IPQ Tecnologia desenvolveu uma ferramenta, que funciona como um botão de emergência silencioso. Ao ser pressionado por três segundos, o sistema ativa uma chamada de áudio e vídeo em tempo real com o centro de monitoramento da polícia, Justiça e órgãos de assistência social. O aplicativo possui interface, que simula um controle de ciclo menstrual, reduzindo a chance do agressor identificar o pedido de ajuda.

“O sistema permite o envio de alertas imediatos em situações de risco. Ao ser acionado, o dispositivo compartilha a localização em tempo real com as autoridades, permitindo uma resposta rápida. As informações são armazenadas em nuvem e podem ser utilizadas como prova em investigações e processos judiciais, mesmo que o agressor tente desligar o aparelho”, explica o COO de operações da IPQ Tecnologia, Heitor Galvão.

Segundo o executivo, a solução também pode ser integrada ao monitoramento de de tornozeleiras eletrônicas. “Caso um agressor, submetido à medida protetiva, se aproxime da vítima, um alerta é emitido simultaneamente para a central de polícia, ao celular da vítima e, inclusive, ao próprio infrator, advertindo sobre o descumprimento da decisão judicial”.

A tecnologia foi adotada de forma pioneira pelo Estado da Paraíba e será apresentada durante a COP Internacional, considerada o evento de segurança pública da América Latina, que acontece em São Paulo, de 11 a 13 de agosto. A expectativa é expandir para todos os estados da federação e reduzir os índices de violência contra a mulher.

Dados oficiais do Fórum Brasileiro de Segurança Pública mostram que o Brasil registrou 1.568 feminicídios em 2025, o maior número desde a criação da tipificação do crime. No mesmo período, foram contabilizados mais de 4 mil tentativas de feminicídio, indicando que a violência costuma apresentar sinais prévios e exige respostas rápidas e integradas.