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Um novo 11 de setembro ressignificado no Brasil

Vereadora Marta Rodrigues - Foto Reprodução

 

Por Marta Rodrigues – Vereadora de Salvador

Ao longo dos séculos, o 11 de setembro foi marcado por episódios que mudaram a trajetória de países e do mundo. De batalhas na Europa a golpes na América Latina, de atentados terroristas à reafirmação da democracia, a data parece carregar um destino de viradas históricas. E, em 2025, coube ao Brasil escrever um novo capítulo: foi nesse dia que a Justiça condenou Jair Bolsonaro e os responsáveis pela tentativa de golpe de 8 de janeiro, transformando um país tantas vezes vítima de rupturas em exemplo de resistência democrática.

A lista de acontecimentos nesse dia é extensa. Em 1714, Barcelona se rendeu aos exércitos francês e espanhol na Guerra da Sucessão, redefinindo o mapa político europeu. Em 1814, os norte-americanos obtiveram uma vitória decisiva contra os ingleses em Plattsburgh, consolidando sua independência em tempos de guerra. Em 1919, os fuzileiros navais dos Estados Unidos invadiram Honduras, sinalizando a forte interferência do país no destino das nações da América Central.

Na América do Sul, o 11 de setembro de 1973 ficou para sempre gravado como um dos dias mais sombrios do continente. No Chile, o general Augusto Pinochet liderou um golpe militar que derrubou o presidente Salvador Allende, instaurando uma ditadura de 17 anos. O episódio, apoiado por forças estrangeiras, foi marcado por violência, perseguições e a morte do presidente, que não abandonou o Palácio de La Moneda mesmo diante da ofensiva. Ali, o continente aprendeu, à custa de sangue, o quanto a democracia é frágil diante de tanques e fuzis.

Em 2001, o mundo assistiu a um novo 11 de setembro de impacto global. A Al Qaeda sequestrou quatro aviões e transformou-os em armas: dois atingiram as Torres Gêmeas em Nova York, outro foi lançado contra o Pentágono e o quarto caiu na Pensilvânia após a resistência dos passageiros. O atentado inaugurou a chamada “Era do Terror”, redesenhando a geopolítica, provocando guerras e espalhando medo em escala planetária.

E chegamos a 2025. O Brasil, tantas vezes golpeado ao longo de sua história, decidiu escrever outro tipo de 11 de setembro. Nesse dia, o Supremo Tribunal Federal concluiu o julgamento da tentativa de golpe de 8 de janeiro, responsabilizando militares, ministros, políticos e, no centro, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Foi uma condenação que ultrapassa o universo jurídico: tratou-se de um recado firme à sociedade e ao mundo de que a democracia brasileira amadureceu.

Um país que conviveu com quarteladas, ditaduras e conspiradores finalmente disse basta. A Justiça mostrou que não há blindagem capaz de proteger quem atenta contra a República: nem farda, nem toga, nem mandato. O 11 de setembro de 2025 tornou-se um marco pedagógico — uma advertência histórica de que a democracia não se negocia e que os aventureiros do autoritarismo conhecerão o peso da lei.

O julgamento expôs a força da Constituição de 1988, sustentada por instituições resilientes. Alexandre de Moraes e seus colegas no Supremo tiveram papel decisivo, assim como a ministra Cármen Lúcia, cujo voto inclinou a balança e garantiu o veredito. Mas mais do que nomes, foi a própria sociedade brasileira que saiu vitoriosa, vendo que a democracia pode, sim, se defender de seus inimigos.

Neste 11 de setembro, o Brasil não reviveu tragédias nem lamentou derrotas. Pelo contrário, apresentou ao mundo um exemplo raro: a justiça feita em nome da Constituição, do povo e do Estado Democrático de Direito.

Mais do que uma sentença, este dia será lembrado como um aviso perene: aqui, golpes nunca mais.

Marta Rodrigues é formada em Letras pela UCSal, especialista em Direitos Humanos pela Uneb e em Políticas Públicas pela Unicamp.