A superfederação entre PP e União Brasil, que será batizada de “União Progressista”, deve ser oficializada nesta terça-feira (29) com o objetivo de se tornar a maior força do Congresso, reunindo 109 deputados federais e 14 senadores. A aliança, que obrigará os partidos a atuarem juntos por quatro anos, nasce marcada por conflitos: o impasse sobre quem assumirá a presidência nacional – disputada entre Antonio Rueda (União) e Arthur Lira (PP) – pode adiar a definição do comando.
A nova agremiação terá a maior fatia de fundos eleitorais e tempo de TV, posicionando-se como principal alternativa de direita. O plano do presidente do PP, Ciro Nogueira, é formar chapa com Tarcísio de Freitas (Republicanos) em 2026. No entanto, divergências estaduais ameaçam a unidade: em nove estados, incluindo Paraná, Acre e Paraíba, PP e União Brasil apoiam candidatos rivais ao governo. “Os conflitos locais serão resolvidos depois”, afirmou o deputado Ricardo Barros (PP).
O acordo prevê rodízio na presidência nacional, mas Rueda exigiu ser o primeiro a comandar. Enquanto isso, diretórios estaduais serão divididos – o PP ficará com estados como Pernambuco e Santa Catarina, e o União Brasil com Bahia e Goiás. A promessa é que, em março de 2026, o comando em estados disputados será definido a favor de quem tiver projeto eleitoral mais viável.
Um dos pontos críticos é a posição do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União), pré-candidato à Presidência. Ele aceitou a federação após garantir que terá apoio nacional se atingir 10% nas pesquisas em 2026. Caso contrário, deverá abrir mão para outro nome. A decisão adia também a possível migração de mais de 20 deputados federais que receberam ofertas de outras legendas.
A aprovação da superfederação depende ainda das executivas nacionais dos partidos, onde há resistências. No União Brasil, as facções de Rueda, Davi Alcolumbre e Caiado/ACM Neto mantêm divergências. Enquanto isso, o PSDB prepara sua própria fusão com o Podemos, a ser votada nesta terça, numa tentativa de fortalecer a “terceira via”.
Os exemplos do Acre e da Paraíba ilustram os desafios: no primeiro, o PP apoia a sucessão do governador Gladson Cameli, bloqueando o senador Alan Rick (União); na Paraíba, senador Efraim Filho (União) e vice-governador Lucas Ribeiro (PP) são rivais. Na Bahia, a divisão é ainda mais clara – o PP local alia-se ao PT, enquanto o União Brasil mantém oposição firme ao governador Jerônimo Rodrigues.
Com informações da Folha de São Paulo
