O uso de óvulos doados já está presente em cerca de 16% a 20% dos ciclos de reprodução assistida no Brasil, segundo registros científicos latino-americanos publicados na revista JBRA Assisted Reproduction. Os dados acompanham o crescimento do setor no país, que ultrapassou 56 mil ciclos realizados em um único ano, conforme a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), por meio do sistema SisEmbrio.
A prática tem sido adotada principalmente em casos em que não é possível utilizar os próprios gametas, como em situações de idade materna avançada, insuficiência ovariana precoce, alterações genéticas ou tratamentos oncológicos. “Há alguns anos, a impossibilidade de usar os próprios óvulos ou espermatozoides significava o fim do projeto reprodutivo para muitos casais. Hoje, a medicina oferece alternativas seguras e regulamentadas. Não é o fim da linha — é uma mudança de estratégia”, afirmou o médico especialista em reprodução humana, Dr. Agnaldo Viana.
Nesses casos, a fertilização in vitro com doação de gametas é indicada após avaliação clínica detalhada. No processo, óvulos de uma doadora são fertilizados em laboratório e o embrião é transferido para o útero da paciente. A escolha dos doadores segue critérios técnicos e normas do Conselho Federal de Medicina, com triagem clínica, avaliação genética e exames para doenças infecciosas, além da compatibilidade de características fenotípicas.
A investigação da infertilidade é recomendada após 12 meses de tentativas sem sucesso, ou seis meses para mulheres acima dos 35 anos. Segundo o especialista, a decisão pela doação envolve orientação médica e preparo emocional. “A decisão pela doação é profundamente consciente. Não se trata apenas de um procedimento técnico, mas de um processo que envolve preparo emocional, orientação médica e segurança jurídica. Nosso papel é oferecer informação clara para que o paciente entenda todas as etapas”, explicou o Dr. Agnaldo Viana.
