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Vai ter bronca, governador?

Governador Jeronimo, secretaria da Educação e gestores dos NT Foto: Thuane Maria

Vai ter bronca, governador?

A redação do Notícias da Bahia recebeu relatos sobre as condições dos alunos do Colégio Estadual Governador Lomanto Junior, em Salvador que está passando por uma reforma para se adequar as novas estruturas modernas dos Colégios de Tempo Integral do Governo da Bahia. O problema é que enquanto as transformações ocorrem, os alunos enfrentam aulas em ambiente de calor excessivo, enquanto equipamentos de ar-condicionado adquiridos permanecem encaixotados com previsão de uso apenas para 2026. Outra situação que chamou a atenção é a questão nutricional da merenda escolar, com a oferta de pipoca com café no cardápio matinal. E o pior, algumas alimentações estão sendo fornecidas em pratos de vidro. Desesperador! Num momento onde a sociedade vive dias difíceis com as condutas violentas dentro das escolas, prato de vidro é arma de fácil alcance dos alunos e com potencial danoso imenso. Com certeza o governador Jerônimo não sabe de nada disso. Mas agora que sabe, se faz necessário um duro puxão de orelha na direção da escola.

Print de uma postagem no Instagram do Núcleo Territorial de Educação – Imagem Reprodução

Transferência de responsabilidades?

Ainda sobre o Colégio Lomanto Junior, pense num absurdo. Ao entregarem um tablet para os alunos, exigiram que pais assinassem um termo de responsabilidade pelo equipamento. Até aí tudo bem. Mas também tiveram que ouvir que a responsabilidade se estende por eventuais roubos do equipamento fornecidos pela Secretaria de Educação do Estado para os estudantes. Ao transferir para as famílias o ônus pela segurança dos equipamentos, a instituição ignora que a violência urbana é um problema social complexo e sem controle, não uma falha individual. Medida dessa natureza desconsidera a realidade socioeconômica das famílias, que não podem arcar com reposições de aparelhos, e expõe alunos a dilemas perigosos diante de situações de risco. Se eu não enfrentar o bandido para evitar o roubo como meus pais vão pagar outro tablet? Cabe ao Estado garantir políticas de segurança pública eficazes e mecanismos de proteção patrimonial adequados, não transformar cidadãos em reféns de sua própria vulnerabilidade. Podem nos enviar nota explicando o caso. Mas antes disso puxem novamente a orelha de quem anda falando pelos cotovelos na escola. Pois no se no termo de responsabilidade que os pais assinam, não trata do assunto furto, a escola não deve passar essa absurda orientação.

Termo de responsabilidade

Colégio Rotary em Itapuã sem sustentabilidade

A reforma do Colégio Estadual Rotary em Itapuã, que integra o programa de modernização das escolas públicas baianas, provocou um impacto ambiental questionável com a remoção completa das árvores que guarneciam sua fachada. Essas árvores, responsáveis por gerar sombras acolhedoras e conforto térmico natural, foram suprimidas para evidenciar a nova estrutura, priorizando a estética em detrimento do bem-estar prático da comunidade escolar. O resultado é um espaço que, embora modernizado, perdeu um patrimônio natural vital, aumentando a dependência de refrigeração artificial e ignorando soluções sustentáveis já consolidadas.

Fachada Colégio Rotary – Foto: Notícias da Bahia

Rui Oliveira, Sentido! Direita Volver! Esquerda volver!

A atuação recente do presidente da APLB, Rui Oliveira, evidencia ainda mais que o sindicato se tornou um palco de manobras políticas que prejudicam a categoria docente. Após firmar um acordo com a prefeitura e vereadores, o dirigente promoveu o rompimento do pacto, inviabilizando a votação na Câmara Municipal do projeto relativo ao reajuste dos professores municipais. Essa conduta errática, legitima as críticas da oposição sobre a partidarização excessiva da entidade. A sequência de ações – negociação seguida de sabotagem – revela estratégia clara de instabilidade institucional, típica de jogos de poder que nada têm a ver com a defesa sindical. Quando um líder sindical passa a operar como articulador político, usando a educação como moeda de troca, trai a confiança dos profissionais que representa. É urgente que a base da APLB exija transparência e redirecione o sindicato à sua verdadeira missão: lutar por educação pública digna, não importando com qual gestão tenha que enfrentar.

O problema da ausência de Thiago Dantas

A invisibilidade do secretário de Educação de Salvador, Thiago Dantas contrasta com a gravidade do impasse entre a APLB e a gestão municipal, tornando suas raras aparições insuficientes para cooperar com a solução do problema. Enquanto Dantas raramente aparece, o presidente da APLB, Rui Oliveira, introduz novos capítulos nessa novela de instabilidade, aprofundando o clima e expondo o quanto o interesse público tem sido sacrificado por jogos políticos e preparo inadequado de seus representantes.

Comandante Carlos Muniz e o soldado Kiki

Que espetáculo edificante presenciamos na Câmara Municipal de Salvador, onde o presidente Carlos Muniz e o vereador Kiki Bispo protagonizam mais um capítulo de sua parceria democrática. Enquanto Kiki, em notável demonstração de coerência parlamentar, defendia a votação da Louos ignorando uma emenda previamente aprovada, Muniz subiu o tom e ameaçou retirar o projeto de pauta. O que aterrorizou Kiki Bispo, que mesmo estando no ar-condicionado do plenário da Câmara, parecia ferver de tensão. É o segundo embate entre Muniz e Kiki. Na semana passada o presidente do legislativo municipal criticou o desaparecimento crônico do secretário de educação Thiago Dantas, lembrando que cobrar ausências do governo é tarefa tão fútil quanto… bem, enxugar gelo. E assim segue a nossa democracia: entre gelo que não se seca e projetos que na maioria das vezes nada interessam a sociedade. Mas alguém sempre sai ganhando.

Wagner Moura x Bruno Monteiro

O secretário de Cultura da Bahia, Bruno Monteiro lançou discretamente o Edital Ouro Negro 2026 – com seus generosos 17 milhões para entidades africanas – justamente após Wagner Moura questionar o “pouco incentivo público” na cena cultural na Bahia. Coincidência ou milagre da sensibilidade burocrática? Enquanto o ator internacional defendia que governos de esquerda deveriam investir mais em cultura eis que o secretário, num evento modestíssimo comparado às edições anteriores, anuncia vultosos recursos com a elegância de quem sussurra uma resposta. E que nobreza ao declarar que as críticas do companheiro Moura são recebidas “com respeito” – diferentemente das tantas outras que costumam ser recebidas com indiferença ou irritação. Parece que o timing e o tom de Bruno para ouvir críticas dependem diretamente do alcance midiático de quem as profere. Uma verdadeira aula de como o volume do crítico pode alterar a pressão nas torneiras do orçamento cultural.

A Confraria do Notícias da Bahia busca através da Coluna etc&tal trazer reflexões sobre temas e acontecimentos importantes para nossa sociedade. A fofoca política nos interessa mas não é nosso principal objetivo.