Início Política Vereadora alerta para violência contra mulheres negras e cobra políticas de proteção;...

Vereadora alerta para violência contra mulheres negras e cobra políticas de proteção; confira dados

Vereadora alerta para violência contra mulheres negras e cobra políticas de proteção; confira dados
Foto: Tânia Rego/Agência Brasil

Presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher, na Câmara de Vereadores de Salvador (CMS), a vereadora Ireuda Silva (Republicanos) chama atenção para uma realidade que, segundo ela, precisa estar no centro do debate sobre políticas de proteção.

Ela fez um alerta para violência contra mulheres, sobretudo as mulheres negras. Para a edil, a violência não atinge todas as mulheres da mesma forma. Mulheres afrodescendentes estão entre as principais vítimas da violência letal e enfrentam uma sobreposição de desigualdades de gênero e raça que amplia sua vulnerabilidade.

Dados do 19º Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostram que, em 2024, 63,6% das vítimas de feminicídio no Brasil eram mulheres negras. O levantamento também aponta que 70,5% das vítimas tinham entre 18 e 44 anos, enquanto oito em cada dez foram assassinadas por companheiros ou ex-companheiros.

Além disso, 64,3% dos crimes ocorreram dentro de casa, revelando que o ambiente doméstico, que deveria representar proteção, muitas vezes se transforma no cenário da violência.

Para Ireuda, os dados demonstram que falar sobre o enfrentamento à violência contra a mulher exige reconhecer as especificidades vividas pela população negra.

“Quando olhamos para os números do feminicídio, percebemos que as mulheres negras são vítimas preferenciais de uma violência que não começa no momento do assassinato. Ela pode estar presente no racismo, na desigualdade social, na falta de oportunidades, na violência doméstica e na dificuldade de acesso à rede de proteção”, afirma a vereadora.

A parlamentar destaca que o Agosto Lilás não pode ser tratado apenas como uma campanha de conscientização, mas como um período para reforçar a necessidade de políticas públicas permanentes, capazes de prevenir a violência e garantir atendimento às vítimas.

“Não podemos naturalizar esses números. Cada percentual representa mulheres que tinham histórias, famílias, sonhos e projetos interrompidos pela violência. E quando mais de seis em cada dez vítimas de feminicídio são negras, fica evidente que precisamos de políticas públicas que considerem também o racismo estrutural e as desigualdades que atravessam a vida dessas mulheres”, ressalta Ireuda.