A violência policial aumentou 41% no estado de São Paulo no primeiro bimestre de 2026. Policiais militares e civis mataram 130 pessoas em janeiro e fevereiro. A alta é puxada pela Baixada Santista, que registrou 23 mortes — um crescimento de 283% em relação ao mesmo período de 2025. A gestão Tarcísio de Freitas afirma que “intensificou o enfrentamento à criminalidade violenta e organizada”.
Os números contrastam com a queda de outros crimes: homicídios dolosos (-7,5%), roubos (menor índice da série histórica) e furtos. Já os feminicídios subiram para 56 casos, maior número desde 2018. As mortes por policiais nos seis meses entre setembro de 2025 e fevereiro de 2026 já superam todo o ano de 2022. A Rota (Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar) lidera a letalidade, com 22 mortes neste ano.
“Todas as ocorrências de morte decorrente de intervenção policial são rigorosamente investigadas”, diz a Secretaria de Segurança Pública. A pasta afirma que “as polícias paulistas não compactuam com excessos” e que, desde 2023, mais de 1.300 policiais foram presos ou expulsos. A gestão Tarcísio já criticou as câmeras corporais, mas recuou após imagens de um policial jogando um homem de uma ponte.
Na Baixada, as mortes se concentraram em Guarujá, Santos e Cubatão. Em dois casos, três pessoas morreram numa só ocorrência. Um policial de folga matou um jovem com um tiro na cabeça após uma discussão de trânsito na Brasilândia. As operações Escudo e Verão, que deixaram 84 mortos, tiveram sete casos denunciados por fraude de provas e tampamento de câmeras.
