Entrando nas últimas cinco rodadas do Campeonato Brasileiro, o Vitória disputa cada ponto como decisão. Com 35 pontos em 33 partidas, o rubro-negro luta para permanecer na elite após conquistar, em 2023, seu retorno à Série A. A meta mínima para escapar do Z-4 segue o padrão histórico do torneio: 45 pontos, média registrada nas campanhas de sobrevivência dos últimos anos.
A seguir, a reportagem do Notícias da Bahia detalha a situação atual do clube, os cenários possíveis, o desempenho recente, o peso dos confrontos finais e o papel da diretoria neste processo.
Contexto histórico recente
Após viver o período mais difícil de sua história — que incluiu a queda à Série C em 2021 — o Vitória retomou o rumo a partir de 2022. Com reconstrução no elenco, reorganização financeira e adoção de medidas internas de governança, o clube conseguiu:
- 2022: acesso da Série C para a Série B;
- 2023: título da Série B e retorno à elite após cinco anos;
- 2024: terminou em 11º colocado na Série A com elenco considerado modesto e orçamento inferior à maior parte dos rivais.
Números no Brasileirão 2025 até aqui
- 35 pontos;
- 33 jogos;
- 8 vitórias, 11 empates e 14 derrotas;
- 29 gols marcados / 47 gols sofridos.
O ataque produziu menos do que o esperado, e a defesa sofreu gols em excesso — média de 1,42 sofridos por jogo. O saldo negativo aumenta o risco em caso de empate na pontuação com rivais diretos.
Próximas partidas: reta final decisiva
O Vitória tem pela frente cinco jogos, três deles fora de casa:
- Palmeiras (fora) – quinta-feira (19);
- Sport Recife (fora) – domingo (23);
- Mirassol (casa) – sábado (29);
- Bragantino (fora) – 3 de dezembro;
- São Paulo (casa) – 7 de dezembro.
Histórico recente do corte de rebaixamento
Para projetar o cenário rubro-negro, vale observar o desempenho dos clubes que escaparam nos últimos cinco anos, alcançando a 16ª colocação:
- 2024: RB Bragantino — 44 pontos;
- 2023: Bahia — 44 pontos;
- 2022: Cuiabá — 41 pontos;
- 2021: Juventude — 46 pontos;
- 2020: Fortaleza — 41 pontos.
Média dos últimos anos: 43 pontos.
Média histórica: 45 pontos.
Ou seja: o Vitória precisará de ao menos 8 pontos em 15 possíveis para alcançar essa linha — o equivalente a duas vitórias e dois empates.
Cenários possíveis
A seguir, uma projeção clara e realista considerando os cinco jogos restantes:
Cenário pessimista (baixa pontuação)
Caso o Vitória não consiga vencer em casa e mantenha a atual dificuldade ofensiva — 29 gols em 33 jogos — o time pode somar apenas 3 a 4 pontos na reta final.
Projeção negativa possível:
- 3 empates
- 2 derrotas
Ou ainda:
- 1 vitória
- 4 derrotas
Então:
- 0 a 4 pontos possíveis
- Projeção final: 35 a 39 pontos
Nesse caso, o rebaixamento é praticamente inevitável.
Cenário intermediário (aproveitamento moderado)
Considerando o desempenho atual — 35 pontos em 33 rodadas e dificuldade como visitante — o cenário mais provável envolve um aproveitamento moderado.
Nesse caso, o Vitória poderia somar 6 a 7 pontos nas cinco rodadas finais, chegando a 41 ou 42 pontos.
Projeção realista possível:
- 1 vitória em casa
- 1 vitória ou empate fora
- 2 derrotas
- 1 empate
Com 41–42 pontos, o Vitória ficaria no limite da zona de risco. Historicamente, em alguns anos essa pontuação foi suficiente (como em 2020 e 2022), mas não garantiria a permanência com tranquilidade.
Cenário ideal (arrancada)
Para alcançar a pontuação mínima histórica de segurança — cerca de 45 pontos — o Vitória precisa somar ao menos 10 pontos nos últimos cinco jogos. O cenário mais favorável passa por vencer os dois jogos no Barradão (Mirassol e São Paulo) e pontuar bem nos confrontos diretos.
Uma combinação plausível no cenário otimista seria:
- 2 vitórias em casa (Mirassol e São Paulo)
- 1 vitória fora (Sport)
- 1 empate
- 1 derrota
Esse desempenho levaria o Vitória a 45 ou 46 pontos, número suficiente para escapar em praticamente todas as edições recentes — apenas 2021 exigiu mais (46).
Comparação com campanhas de equipes que escaparam
- Em 2023, o Bahia chegou a 44 pontos com desempenho irregular, mas escapou porque outros rivais caíram cedo;
- Em 2022, o Cuiabá sobreviveu com 41 pontos porque a zona de corte foi muito baixa;
- Em 2021, o Juventude precisou de 46 pontos, número alto, mostrando como a disputa pode mudar ano a ano.
A briga deste ano se assemelha mais a 2023 e 2024, quando a linha ficou em 44. A margem do Vitória, portanto, é curta: precisa ultrapassar a régua dos 40 e mirar os 45.
O papel de Fábio Mota na reconstrução e no momento atual

Presidente eleito em 2023 (após período como interino), Fábio Mota tem presença direta na nova fase do clube. Sua gestão é marcada por três pilares:
1. Recuperação institucional do clube
- Reorganização financeira interna;
- Redução de dívidas imediatas;
- Reformulação dos departamentos de futebol e categorias de base;
- Reequilíbrio administrativo após sequência de gestões ruins.
2. Ascensos consecutivos
A maior marca da gestão é clara:
- 2022: acesso da Série C;
- 2023: campeão brasileiro da Série B;
- 2024: retorno à elite após cinco temporadas, sem SAF, sem aporte externo e com orçamento modesto.
Foi o primeiro presidente da história do Vitória a comandar dois acessos seguidos.
3. Pressão atual
Com a proximidade das eleições internas e o risco de queda, Fábio Mota tem:
- Mantido foco total no futebol;
- Adiado decisões políticas dentro do clube;
- Evitado debates públicos sobre sucessão;
- Acompanhado de perto o elenco e a comissão técnica.
A permanência na Série A seria o maior ativo para encerrar o ano com estabilidade.
