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Vitória: cenários para evitar a queda e o peso da gestão Fábio Mota

Torcida faz festa no Barradão - Foto: Victor Ferreira/E.C. Vitória

Entrando nas últimas cinco rodadas do Campeonato Brasileiro, o Vitória disputa cada ponto como decisão. Com 35 pontos em 33 partidas, o rubro-negro luta para permanecer na elite após conquistar, em 2023, seu retorno à Série A. A meta mínima para escapar do Z-4 segue o padrão histórico do torneio: 45 pontos, média registrada nas campanhas de sobrevivência dos últimos anos.

A seguir, a reportagem do Notícias da Bahia detalha a situação atual do clube, os cenários possíveis, o desempenho recente, o peso dos confrontos finais e o papel da diretoria neste processo.

Contexto histórico recente

Após viver o período mais difícil de sua história — que incluiu a queda à Série C em 2021 — o Vitória retomou o rumo a partir de 2022. Com reconstrução no elenco, reorganização financeira e adoção de medidas internas de governança, o clube conseguiu:

  • 2022: acesso da Série C para a Série B;
  • 2023: título da Série B e retorno à elite após cinco anos;
  • 2024: terminou em 11º colocado na Série A com elenco considerado modesto e orçamento inferior à maior parte dos rivais.

Números no Brasileirão 2025 até aqui

  • 35 pontos;
  • 33 jogos;
  • 8 vitórias, 11 empates e 14 derrotas;
  • 29 gols marcados / 47 gols sofridos.

O ataque produziu menos do que o esperado, e a defesa sofreu gols em excesso — média de 1,42 sofridos por jogo. O saldo negativo aumenta o risco em caso de empate na pontuação com rivais diretos.

Próximas partidas: reta final decisiva

O Vitória tem pela frente cinco jogos, três deles fora de casa:

  1. Palmeiras (fora) – quinta-feira (19);
  2. Sport Recife (fora) – domingo (23);
  3. Mirassol (casa) – sábado (29);
  4. Bragantino (fora) – 3 de dezembro;
  5. São Paulo (casa) – 7 de dezembro.

Histórico recente do corte de rebaixamento

Para projetar o cenário rubro-negro, vale observar o desempenho dos clubes que escaparam nos últimos cinco anos, alcançando a 16ª colocação:

  • 2024: RB Bragantino — 44 pontos;
  • 2023: Bahia — 44 pontos;
  • 2022: Cuiabá — 41 pontos;
  • 2021: Juventude — 46 pontos;
  • 2020: Fortaleza — 41 pontos.

Média dos últimos anos: 43 pontos.

Média histórica: 45 pontos.

Ou seja: o Vitória precisará de ao menos 8 pontos em 15 possíveis para alcançar essa linha — o equivalente a duas vitórias e dois empates.

Cenários possíveis

A seguir, uma projeção clara e realista considerando os cinco jogos restantes:

Cenário pessimista (baixa pontuação)

Caso o Vitória não consiga vencer em casa e mantenha a atual dificuldade ofensiva — 29 gols em 33 jogos — o time pode somar apenas 3 a 4 pontos na reta final.

Projeção negativa possível:

  • 3 empates
  • 2 derrotas

Ou ainda:

  • 1 vitória
  • 4 derrotas

Então:

  • 0 a 4 pontos possíveis
  • Projeção final: 35 a 39 pontos

Nesse caso, o rebaixamento é praticamente inevitável.

Cenário intermediário (aproveitamento moderado)

Considerando o desempenho atual — 35 pontos em 33 rodadas e dificuldade como visitante — o cenário mais provável envolve um aproveitamento moderado.

Nesse caso, o Vitória poderia somar 6 a 7 pontos nas cinco rodadas finais, chegando a 41 ou 42 pontos.

Projeção realista possível:

  • 1 vitória em casa
  • 1 vitória ou empate fora
  • 2 derrotas
  • 1 empate

Com 41–42 pontos, o Vitória ficaria no limite da zona de risco. Historicamente, em alguns anos essa pontuação foi suficiente (como em 2020 e 2022), mas não garantiria a permanência com tranquilidade.

Cenário ideal (arrancada)

Para alcançar a pontuação mínima histórica de segurança — cerca de 45 pontos — o Vitória precisa somar ao menos 10 pontos nos últimos cinco jogos. O cenário mais favorável passa por vencer os dois jogos no Barradão (Mirassol e São Paulo) e pontuar bem nos confrontos diretos.

Uma combinação plausível no cenário otimista seria:

  • 2 vitórias em casa (Mirassol e São Paulo)
  • 1 vitória fora (Sport)
  • 1 empate
  • 1 derrota

Esse desempenho levaria o Vitória a 45 ou 46 pontos, número suficiente para escapar em praticamente todas as edições recentes — apenas 2021 exigiu mais (46).

Comparação com campanhas de equipes que escaparam

  • Em 2023, o Bahia chegou a 44 pontos com desempenho irregular, mas escapou porque outros rivais caíram cedo;
  • Em 2022, o Cuiabá sobreviveu com 41 pontos porque a zona de corte foi muito baixa;
  • Em 2021, o Juventude precisou de 46 pontos, número alto, mostrando como a disputa pode mudar ano a ano.

A briga deste ano se assemelha mais a 2023 e 2024, quando a linha ficou em 44. A margem do Vitória, portanto, é curta: precisa ultrapassar a régua dos 40 e mirar os 45.

O papel de Fábio Mota na reconstrução e no momento atual

Fábio Mota – Foto: Victor Ferreira/E.C. Vitória

Presidente eleito em 2023 (após período como interino), Fábio Mota tem presença direta na nova fase do clube. Sua gestão é marcada por três pilares:

1. Recuperação institucional do clube

  • Reorganização financeira interna;
  • Redução de dívidas imediatas;
  • Reformulação dos departamentos de futebol e categorias de base;
  • Reequilíbrio administrativo após sequência de gestões ruins.

2. Ascensos consecutivos

A maior marca da gestão é clara:

  • 2022: acesso da Série C;
  • 2023: campeão brasileiro da Série B;
  • 2024: retorno à elite após cinco temporadas, sem SAF, sem aporte externo e com orçamento modesto.

Foi o primeiro presidente da história do Vitória a comandar dois acessos seguidos.

3. Pressão atual

Com a proximidade das eleições internas e o risco de queda, Fábio Mota tem:

  • Mantido foco total no futebol;
  • Adiado decisões políticas dentro do clube;
  • Evitado debates públicos sobre sucessão;
  • Acompanhado de perto o elenco e a comissão técnica.

A permanência na Série A seria o maior ativo para encerrar o ano com estabilidade.