A União Europeia afirmou nesta segunda-feira (16) que o Estreito de Ormuz não está sob responsabilidade da OTAN, em resposta às declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O posicionamento foi feito após o republicano cobrar da aliança medidas para garantir a circulação de navios na região.
A chefe da diplomacia europeia, Kaja Kallas, afirmou que a área não integra o escopo de atuação da organização militar. “Estivemos em contato com a OTAN anteriormente, mas isso realmente está fora da área de ação da OTAN. Não há países da OTAN no Estreito de Ormuz”, declarou, durante reunião ministerial do bloco.
Kallas também informou que discutiu o tema com o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres, ao avaliar alternativas para a reabertura da rota marítima. “Durante o fim de semana, falei com o secretário-geral da ONU, António Guterres, se seria possível ter o mesmo tipo de iniciativa [no Estreito de Ormuz] que tivemos no Mar Negro para tirar cereais da Ucrânia”, afirmou.
Segundo a representante europeia, o bloqueio do estreito traz riscos para o abastecimento global. “Se houver falta de fertilizantes neste ano, vai haver privação alimentar no próximo. Portanto, discutimos com Guterres como é que seria possível concretizar” essa iniciativa, disse. A via marítima é considerada estratégica para o escoamento de petróleo e gás natural do Golfo Pérsico.
O estreito foi bloqueado pelo Irã após o início da guerra envolvendo Estados Unidos e Israel, em 28 de fevereiro, o que provocou alta nos preços internacionais de produtos energéticos. A situação também impacta o transporte de fertilizantes, segundo autoridades europeias.
No domingo (15), Trump afirmou que a OTAN teria um “futuro muito negativo” caso não atuasse para liberar a rota. “Se não houver alguma resposta, ou se a resposta for negativa, acredito que será muito prejudicial para o futuro da OTAN”, disse. Líderes europeus, como o ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, e o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, reforçaram que a operação não faz parte das atribuições da aliança.
