Exportação de petróleo do Brasil para a china mais do que dobrou no primeiro trimestre de 2026. Os dados são do governo federal compilados pelo CEBC (Conselho Empresarial Brasil-China). O país asiático recebe quase 40% do petróleo que passa por aquela rota crítica.
O volume exportado saltou 122%, de 7.400 para 16,5 mil toneladas. O valor atingiu US$ 7,2 bilhões, ante US$ 3,7 bilhões em 2025. O petróleo respondeu por 30% das exportações brasileiras para a china no período. Em março, quando a guerra começou, a participação subiu para 65%.
Para entender o impacto geopolítico, veja os pontos-chave: o conflito no Oriente Médio obriga a china a diversificar fornecedores, o Brasil atua como alternativa natural devido à força da Petrobras no mercado chinês, e a busca por segurança energética tornou-se urgente. O economista Aldren Vernersbach, do IBP, afirmou: “Esse movimento está relacionado à busca por maior segurança energética por parte da china. O cenário atual de conflito torna essa estratégia ainda mais relevante.”
Exportações para a Índia também cresceram 78% no trimestre, totalizando US$ 1 bilhão. Por trás desse avanço, está o acordo do governo indiano com Donald Trump para reduzir a compra de petróleo da Rússia. Os europeus ficaram com 13% do volume exportado pela Petrobras no quarto trimestre de 2025, enquanto os indianos ficaram com 12%.
Além do petróleo, o Brasil vendeu recorde de carne bovina para a china: US$ 1,8 bilhão, alta de 33,8%. O movimento reflete a antecipação de embarques por causa da salvaguarda chinesa. As exportações de ferroligas quase dobraram, para US$ 478 milhões, com destaque para ferronióbio (63%) e ferroníquel (29%). No total, as exportações brasileiras para a china cresceram 21,7%, atingindo US$ 23,9 bilhões — a maior cifra para o primeiro trimestre da história.
Do lado das importações, veículos eletrificados (híbridos plug-in e elétricos) cresceram 7,5 vezes, totalizando US$ 1,23 bilhão. Esse avanço ocorre por antecipação de embarques antes do aumento das tarifas, que devem chegar a 35% em julho. As importações de baterias de lítio cresceram 49% em volume. O total importado do Brasil caiu 6%, para US$ 17,9 bilhões, mas sem um navio-plataforma atípico comprado em 2025, o crescimento seria de 9,3%.
