Henry Borel, de 4 anos, morreu em 8 de março de 2021 no apartamento onde vivia com a mãe, Monique Medeiros, e o então padrasto, o médico e ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste do Rio de Janeiro. O menino deu entrada no Hospital Barra D’Or em parada cardiorrespiratória e com múltiplas lesões internas. Horas depois, a equipe médica confirmou o óbito.
Monique e Jairinho afirmaram ter encontrado Henry caído no chão do quarto durante a madrugada, com mãos e pés gelados e os olhos revirados. Em depoimento, as pediatras que atenderam a criança informaram que ela já chegou sem vida ao hospital, apesar das tentativas de reanimação realizadas pela equipe médica.
Ainda no dia da morte, a 16ª Delegacia de Polícia (Barra da Tijuca) registrou a ocorrência e determinou perícia no apartamento onde a família morava. O pai do menino, Leniel Borel de Almeida, relatou ter recebido uma ligação de Monique informando que o filho estava “sem respirar” e havia sido levado ao hospital.
O exame de necropsia realizado no Instituto Médico-Legal apontou hemorragia interna e laceração hepática provocadas por ação contundente. O laudo também registrou equimoses, hematomas, edemas e contusões, além de informar que Henry apresentava 23 lesões pelo corpo.
Segundo os peritos, a morte não foi imediata após a agressão. O documento concluiu que o óbito ocorreu entre duas e quatro horas depois da hemorragia interna causada pela lesão no fígado. A estimativa é que Henry tenha morrido entre 1h30 e 2h30 da madrugada do dia 8 de março de 2021, antes da chegada ao hospital.
Os laudos anexados ao processo apontaram que as agressões ocorreram dentro do apartamento onde viviam Monique e Jairinho. De acordo com os peritos, as evidências médico-legais, periciais e circunstanciais convergem para a ocorrência dos fatos no imóvel e sustentam a hipótese de violência no ambiente doméstico.
A perícia também identificou ao menos 13 lesões externas distribuídas por membros superiores, inferiores e costas, além de um agrupamento de seis marcas na região toracolombar direita. Segundo o documento, a gravidade e a distribuição dos traumatismos demonstram a aplicação repetida de força significativa e configuram um episódio de violência intensa incompatível com a versão de acidente doméstico.
