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PF aponta viagens pagas e articulações políticas em investigação sobre Vorcaro

PF aponta viagens pagas e articulações políticas em investigação sobre Vorcaro
Daniel Vorcaro - Foto: Secretaria da Administração Penitenciária-SP

A quebra de sigilo de parte da investigação da Polícia Federal (PF) contra o grupo de Daniel Vorcaro, determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, revelou indícios de relações pessoais e econômicas entre o ex-controlador do Banco Master e integrantes da classe política. Segundo os investigadores, as apurações apontam benefícios concedidos a parlamentares, além de contatos relacionados a interesses legislativos e eventos com autoridades.

De acordo com os relatórios da PF, a relação mais direta identificada até o momento envolve o senador Ciro Nogueira (PP-PI). A investigação aponta que o parlamentar teria recebido ao menos R$ 468 mil em viagens e jantares em quatro países custeados por Vorcaro. Os documentos também indicam repasses mensais mínimos de R$ 300 mil durante cerca de 20 meses, totalizando ao menos R$ 6 milhões.

Um dos episódios citados ocorreu nos dias 21 e 22 de janeiro de 2025, em Courchevel, nos Alpes franceses. Segundo a PF, Vorcaro teria pago R$ 122.112 em despesas do senador em dois restaurantes da região. A apuração menciona ainda gastos relacionados a hospedagem e alimentação em Nova York e Paris, além de voos privados que não teriam sido incluídos no cálculo total dos valores apontados.

A investigação também afirma que Vorcaro e Ciro Nogueira atuavam conjuntamente em projetos legislativos de interesse do empresário. Conversas de novembro de 2023 mostram que o ex-banqueiro teria determinado a retirada de envelopes na residência do senador contendo supostas minutas de projetos de lei, que posteriormente teriam sido encaminhadas para revisão em um escritório indicado por ele e entregues a um assessor do gabinete parlamentar.

Outro trecho da investigação trata de mensagens encontradas no celular de Vorcaro relacionadas à reserva de quartos em um hotel de Lisboa, em junho de 2024. Segundo a PF, o empresário solicitou acomodações para ele próprio, para o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e para o senador Ciro Nogueira. As reservas teriam sido feitas no hotel Four Seasons para participação em um encontro com políticos na capital portuguesa.

Ao comentar o caso nesta terça-feira (16), Hugo Motta afirmou à imprensa que participou de um “evento corporativo” e disse ter “muita tranquilidade” em relação às investigações. “Não via problemas porque é um evento corporativo, eu participei esse ano como presidente da Câmara. Tudo está sendo apurado. Eu sempre fui a favor da transparência e as investigações vão acontecer”, declarou o deputado.