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Mulheres negras são maiores vítimas de feminicídio na Bahia

Feminicídios triplicam no Brasil em cinco anos, aponta levantamento
Foto: Arquivo Levante Feminista

Duas a cada cinco mulheres baianas mortas de forma violenta são vítimas de feminicídio

Dados da Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), em parceria com a Secretaria da Segurança Pública do Estado da Bahia (SSP-BA), revelou o perfil das vítimas de feminicídios no estado a partir da sistematização de dados dos Boletins de Ocorrência (BO), registrados pela Polícia Civil (PC), nos últimos oito anos. Mulheres negras, pretas e pardas são as maiores vítimas do feminicídio na Bahia.

De 2017 a 2024, a Bahia registrou 790 feminicídios. Isso significa dizer, que uma mulher foi vítima letal de violência de gênero a cada três dias. Apenas em 2024, a Bahia registrou 111 feminicídios. Em comparativo com 2023, houve uma redução de 3,5%, quando foram registrados 115 casos. Entretanto, nos últimos oito anos houve também um aumento no número de casos violentos contra mulheres, como mostra o infográfico abaixo.

Infográfico Feminicídio – Arte SEI

Em termos comparativos, em 2024, 1,4 mulheres foram vítimas de feminicídios a cada 100 mil baianas, enquanto que, em 2017, 1 mulher foi vítima de feminicídio a cada 100 mil mulheres na Bahia. Ainda em 2024, de cada cinco mulheres que morreram de forma violenta, duas delas foram vítimas de feminicídios.

Quanto à caracterização do crime, a maioria foi por objeto perfuro cortante. Ou seja, na Bahia, em 2024, quase metade dos casos de feminicídios foram por arma branca: 45,5%. As armas de fogo (26,3% do total de casos) e os objetos contundentes (8,1%) eram os outros instrumentos em destaque. Outros instrumentos respondiam pela participação restante (20,2%).

Quanto ao local de ocorrência, 72,1% dos casos ocorreram dentro do domicílio da vítima. E sobre a autoria, 84,4% eram parceiros íntimos da vítima (companheiros ou ex-companheiros e namorados).

O perfil das vítimas mostra que a maioria era composta por mulheres adultas (entre 30 e 49 anos), negras (pretas e pardas) e não solteiras. Os dados evidenciam um padrão de ocorrência no tipo criminal, contribuindo para a construção de medidas mais efetivas para a proteção da vida das mulheres vítimas de violência de gênero.