
Três advogados da Bahia foram denunciados por supostamente forjar provas e manipular documentos em um processo que envolve o divórcio milionário do empresário Lucas Queiroz Abud, no qual estão em disputa cerca de R$ 160 milhões. A denúncia foi revelada pela coluna Dinheiro e Negócios, de Gabriella Furquim, no Portal Metrópoles.
Entre os nomes citados estão Eugênio de Souza Kruschewsky, professor e procurador do Estado, e Ana Patrícia Dantas Leão, que já concorreu duas vezes à presidência da OAB-BA. A terceira investigada é a advogada Michelle Santos Allan. O caso está sob análise da OAB da Bahia, que pode aplicar punições que chegam à suspensão da advocacia por até um ano.
Segundo a denúncia apresentada por Lucas Abud, o divórcio dele com Fabiana Durand Gordilho foi firmado em 2019 de forma consensual. No entanto, em 2021, os advogados teriam apresentado provas falsas para tentar anular o acordo, alegando que o empresário havia omitido patrimônio e assinado o documento sob coação.
Entre os pontos apontados como fraudulentos está a alegação de que a empresa Viva Ambiental e Serviços Ltda. teria sido criada durante o casamento, quando na verdade a companhia foi constituída em 2003 — três anos antes da união, que ocorreu em 2006. Outro episódio questionado envolve a afirmação de que a Justiça paulista teria quebrado o sigilo bancário de Abud, o que não ocorreu. Na prática, o tribunal apenas solicitou informações cadastrais sobre endereço.
A representação também menciona a suposta fabricação de provas relacionadas a violência doméstica. Foram anexadas fotos de lesões e até documentos médicos que indicariam agressão nos Estados Unidos dias antes da assinatura do divórcio. O empresário, contudo, apresentou registros oficiais da imigração norte-americana que mostram que ele não estava no país na data indicada.
Para a defesa de Abud, as inconsistências comprovam uma tentativa deliberada de induzir a Justiça ao erro. Já os três advogados negam as acusações e divulgaram uma nota conjunta. No texto, classificam as denúncias como parte de uma campanha de perseguição e difamação contra eles e afirmam que apenas exercem a advocacia “de maneira íntegra, em favor de uma mulher que vem sendo constantemente aviltada”.
Eles acrescentam que seguirão firmes na defesa da cliente e que adotarão medidas jurídicas para resguardar a honra profissional, além de cobrar apuração sobre possível violação de sigilo processual.