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Caso Ana Clara: Flávio erra nome da mãe de menina morta e é confrontado durante debate na Globo

Flavio no debate da Globo - Imagem Reprodução Globo

O senador Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República, chamou Cristiane Gomes da Silva pelo nome de sua filha, Ana Clara Gomes Machado, menina de cinco anos morta por um tiro de fuzil em Niterói (RJ), em 2021. O episódio ocorreu durante o debate presidencial da TV Globo, na noite desta sexta-feira (23), quando o parlamentar respondeu a uma pergunta do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre sua atuação na defesa do policial militar Bruno Dias Delaroli, acusado de matar a criança. Presente na plateia, Cristiane reagiu aos argumentos do senador com gritos de “mentiroso” e “Ana Clara morreu”.

“Ana Clara, eu quero falar para a senhora, prestar de verdade a minha solidariedade por uma tragédia que aconteceu”, afirmou Flávio. Em seguida, o candidato declarou acreditar que o policial não efetuou o disparo fatal. “Eu tenho a confiança que não foi esse policial. Ele sequer foi julgado ainda”, acrescentou.

Atuação de Flávio na defesa do policial

Durante o debate, Lula questionou por que Flávio atua na defesa de Delaroli, denunciado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) por homicídio doloso. O senador passou a integrar a equipe jurídica do policial em 2024 e assinou um recurso apresentado ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) para tentar reverter a decisão que determinou o julgamento do agente pelo Tribunal do Júri.

O pedido foi rejeitado. O julgamento, inicialmente previsto para quarta-feira (21), foi remarcado para 5 de maio de 2027.

Menina morreu após ser atingida por tiros de fuzil

Ana Clara morreu em 2 de fevereiro de 2021, após ser atingida por dois tiros de fuzil enquanto brincava na porta de casa, na comunidade Monan Pequeno, em Niterói, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

Delaroli foi preso em flagrante e denunciado pelo MPRJ por homicídio doloso. Ele passou a responder ao processo em liberdade em novembro de 2021.

A Justiça determinou que o policial seja julgado pelo Tribunal do Júri, responsável por analisar crimes dolosos contra a vida. A defesa sustenta que o agente reagiu a uma agressão durante uma operação policial. Já a acusação afirma que o disparo foi direcionado a uma área residencial, colocando moradores em risco. O policial ainda não foi condenado definitivamente.

Mãe cobra explicações do senador

Cristiane acompanhou o debate na primeira fila, entre os convidados de Lula. Antes do confronto, ela afirmou que esperava ouvir explicações de Flávio sobre sua participação na defesa do policial e a tentativa de reverter a decisão que determinou o julgamento pelo Tribunal do Júri.

“Estou animada para ele explicar por que ele defendeu o assassino da minha filha. Já que ele nunca me procurou, eu vim até ele”, declarou em vídeo divulgado nas redes sociais pelo deputado federal eleito Marcelo Freixo (PT).

Cristiane afirma que não questiona o direito de defesa do policial, mas critica a atuação do senador para tentar impedir o julgamento.

“A questão é ele ser um senador, usar esse poder, essa força que ele tem na política para anular um júri. Ele não está defendendo, está atuando para não acontecer um júri de um cara que matou uma criança de cinco anos”, afirmou.

A mãe também relatou que não recebeu apoio da equipe do senador e cobrou justiça pela morte da filha.

Caso ganhou espaço na disputa presidencial

A atuação de Flávio na defesa do policial já havia sido questionada por Lula durante o debate da Band, realizado em 18 de outubro. Na ocasião, o senador argumentou que o exercício da advocacia não deveria ser criminalizado e ressaltou que o policial ainda não havia sido julgado.

O caso também ganhou repercussão nacional com o documentário O Julgamento que Nunca Aconteceu, da série jornalística Revelando, que aborda as investigações sobre a morte de Ana Clara e a atuação de Flávio na defesa do policial.