A Bahia lidera o ranking das cidades mais violentas do Brasil, segundo dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2024. O estado aparece com cinco dos dez municípios com maiores taxas de Mortes Violentas Intencionais (MVI), índice que inclui homicídios dolosos, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte.
Os municípios baianos listados são Jequié, Juazeiro, Camaçari, Simões Filho e Feira de Santana, com taxas que variam de 76,7 a 65,2 mortes por 100 mil habitantes. Jequié ocupa a segunda colocação geral no país, com 131 mortes violentas registradas e uma taxa de 76,7.
Além do alto número de homicídios, a letalidade policial também chama atenção na Bahia. Jequié, por exemplo, teve 44 mortes decorrentes de intervenção policial, o que representa 34% de todas as mortes violentas na cidade. Em Simões Filho, esse índice é ainda maior: 26%. Em contraste, cidades como Maranguape (CE) e Cabo de Santo Agostinho (PE) apresentaram índices de 2% e 3%, respectivamente.
A escalada da violência está ligada principalmente a disputas entre facções criminosas, que brigam pelo controle do tráfico de drogas em áreas urbanas periféricas. As principais vítimas continuam sendo homens jovens, negros e pobres, o que reforça a desigualdade social como fator estruturante da violência no país.
Confira as cidades baianas entre as mais violentas do Brasil:
- Jequié (2º lugar) – 76,7 MVI por 100 mil hab. | 131 mortes | 44 por intervenção policial
- Juazeiro (3º lugar) – 74,6 MVI por 100 mil hab. | 131 mortes | 11 por intervenção policial
- Camaçari (4º lugar) – 74,8 MVI por 100 mil hab. | 232 mortes | 32 por intervenção policial
- Simões Filho (7º lugar) – 68,4 MVI por 100 mil hab. | 85 mortes | 22 por intervenção policial
- Feira de Santana (10º lugar) – 65,2 MVI por 100 mil hab. | 429 mortes | 68 por intervenção policial
Em nota enviada ao Notícias da Bahia, a Secretaria da Segurança Pública (SSP) ressaltou que a Bahia apresentou reduções consecutivas nos índices de mortes violentas nos últimos dois anos — sendo 6% em 2023, 8,2% em 2024 e uma nova queda de 7,3% no primeiro semestre de 2025. Os dados abrangem homicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte.
Segundo a pasta, os avanços são resultado de investimentos em pessoal, estrutura e tecnologia, com a contratação de 6 mil novos profissionais de segurança, aquisição de viaturas, construção e reforma de unidades policiais e modernização do Departamento de Polícia Técnica (DPT). A SSP também destacou o programa Bahia pela Paz, que integra ações de prevenção e justiça social.
A secretaria informou ainda que as operações integradas resultaram em quedas significativas da violência em alguns dos municípios listados no ranking do Anuário Brasileiro de Segurança Pública: Feira de Santana (-27%), Simões Filho (-23%), Camaçari (-18%) e Juazeiro (-13%). Em Jequié, segundo a SSP, não houve aumento nos registros após a atuação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO).
Sobre as mortes decorrentes de intervenções policiais — ponto que chama atenção nos dados referentes aos municípios baianos — a SSP reforçou que todas as ocorrências são investigadas pela Polícia Civil e pelas corregedorias. A pasta também citou a Portaria nº 070-CG/2025, da Polícia Militar da Bahia, que determina o afastamento e acompanhamento psicológico dos policiais envolvidos nesse tipo de caso, além de oferecer suporte jurídico e emocional aos agentes.
