Conteúdo do Intercept Brasil – Foto ONU
Escrito por Adam Johnson e Othman Ali
‘Massacre’ de israelenses, não de palestinos
Termos altamente emotivos para a morte de civis, como “carnificina”, “massacre” e “terrível” foram destinados quase exclusivamente para os israelenses mortos por palestinos, não o contrário. (Quando os termos apareceram entre aspas, não na voz editorial da publicação, foram omitidos da análise.)
O termo “slaughter” (carnificina) foi usado por editores e repórteres para descrever o assassinato de isralenses em uma proporção de 60 contra um em relação ao de palestinos, e “massacre” foi usado para descrever o assassinato de israelenses na proporção de 125 contra 2dois
“Terrível” foi usado para descrever o assassinato de israelenses, em relação ao de palestinos, numa proporção de 36 contra quatro.
Uma manchete típica do New York Times, em uma matéria no meio de novembro sobre o ataque de 7 de outubro, dizia: “Eles correram para um abrigo antiaéreo em busca de segurança. Em vez disso, sofreram uma carnificina.”
Compare-se isso com o perfil mais favorável aos palestinos feito pelo Times sobre as mortes em Gaza, em 18 de novembro: “A guerra transforma Gaza em um ‘cemitério’ de crianças“.
“Cemitério”, nesse caso, é uma citação da ONU, e os próprios assassinatos estão em voz passiva. Em sua própria voz editorial, a matéria do Times sobre as mortes em Gaza não usa termos emotivos comparáveis aos que usou na matéria sobre o ataque de 7 de outubro.
O Washington Post usou “massacre” várias vezes em sua cobertura para descrever o 7 de outubro. “O presidente Biden enfrenta crescente pressão de parlamentares de ambos os partidos para punir o Irã após o massacre do Hamas”, diz uma matéria do Post.
Uma matéria de 13 de novembro do jornal sobre como o cerco e o bombardeio de Israel mataram um em cada 200 palestinos não usa nem uma vez as palavras “massacre” ou “carnificina”. Os mortos palestinos foram simplesmente “mortos”, ou “morreram” – frequentemente, na voz passiva.
