Os Correios negociam um empréstimo de R$ 20 bilhões com bancos para lidar com a grave falta de dinheiro em caixa. O presidente da empresa, Emmanoel Schmidt Rondon, explicou nesta quarta-feira (15), que o contrato ainda está em fase de negociação e que o recurso é vital para recuperar a liquidez da estatal.
“A gente precisa recuperar a liquidez da empresa para que a gente possa, por exemplo, ter capacidade de pagar o Plano de Demissão Voluntária (PDV)”, afirmou Rondon. A medida integra um plano de reestruturação financeira para conter prejuízos que somaram R$ 4,3 bilhões no primeiro semestre de 2025.
A crise de caixa já causou impactos operacionais incluindo atrasos em repasses para transportadoras, agências conveniadas e o plano de saúde dos funcionários, o que levou algumas redes hospitalares a suspenderem atendimentos. O presidente atribuiu a situação a uma falta de adaptação da empresa. “O que aconteceu de fato aqui, é que a nossa empresa não se adaptou de uma forma ágil a uma nova realidade e essa falta de adaptação fez com que a gente sofresse no resultado, com falta de caixa”, declarou.
Além do empréstimo, o plano de recuperação dos Correios inclui cortes de despesas, a abertura de um novo PDV, a venda de imóveis ociosos e a busca por novas fontes de receita. A empresa também formalizou o adiamento de obrigações que somam R$ 2,75 bilhões, preservando caixa, mas acumulando multas e juros. Entre os pagamentos suspensos estão repasses ao INSS patronal (R$ 741 mi), fornecedores (R$ 652 mi) e aos planos Postal Saúde (R$ 363 mi) e Postalis (R$ 138 mi).
Apesar de o anúncio do grande empréstimo ser recente, as demais medidas já estavam em andamento na gestão anterior. A iniciativa busca equilibrar as contas da estatal, que acumula 12 trimestres consecutivos de prejuízo e utilizou 92% de seu caixa e aplicações financeiras apenas em 2024.
Correios anunciam primeira fase de plano de reestruturação operacional e financeira
