O coordenador-geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), falou com exclusividade com o Notícias da Bahia, nesta sexta-feira (12), sobre a operação Carbono Oculto, da Polícia Federal que desvendou um esquema de combustível do PCC na Faria Lima.
“Nós temos o enfrentamento do governo federal ao crime organizado e atingindo em cheio o cérebro e o bolso do crime organizado brasileiro e, em especial, essa organização criminosa que você bem citou [PCC]. Não adianta o poder público utilizar o braço forte do Estado a partir da sua segurança pública, que desde já, parabenizamos os nossos policiais civis e militares, que às vezes são compelidos a atuarem apenas nas periferias”, comentou Bacelar.
A operação investiga um esquema bilionário de combustíveis controlado pelo PCC. De acordo com informações da PF, a investigação avança para desarticular a rede criminosa que atua em vários elos da cadeia de combustíveis, desde a produção e comercialização até a ocultação de patrimônio por meio de fintechs e fundos de investimento.
“Então, quando o governo Lula, ele incentiva e investe no Ministério da Justiça e Segurança Pública, e aqui, tanto o ministro Flávio Dino, quanto o ministro Lewandowski, teve e tem um papel importante para a ampliação dessas investigações, ajuda a nós chegarmos aonde chegamos e, como você bem citou, as investigações chegaram na elite brasileira. Chegaram ali na Faria Lima. Chegaram ali onde essa organização criminosa fazia com que o recurso vindo do crime fosse investido e tivesse esse processo todo de lavagem de dinheiro. Não somente lá, né, no capital financeiro, no mercado de capitais, a partir do investimento em ações, mas também nas redes de postos que cresceram em todo o país”, explicou o dirigente da FUP.
Questionado sobre os valores dos combustíveis no Brasil, Deyvid culpa as privatizações do governo Bolsonaro pela elevação dos preços final para o consumidor.
“Nesse sentido, nós ainda entendemos que podemos avançar, porque hoje a Petrobras, ela tem um preço justo, uma política de preço diferente, ela usa uma metodologia que leva em consideração seus preços internos, o petróleo que ela produz e, consequentemente, chega a um preço mais baixo, ou ela sai, na verdade, das refinarias a um preço muito mais baixo. Um exemplo, nós temos aí o botijão de gás de 13 quilos que sai da refinaria por R$36,00. Em média, no Brasil, está custando R$105,00. Aqui na Bahia R$140,00, R$130,00 por conta da privatização da Relam. Mas nós não temos ainda um braço do Estado na distribuição e comercialização dos derivados de petróleo, dos combustíveis”, disse.
“Tínhamos lá atrás a Petrobras distribuidora, que era a BR distribuidora, e a Liquigás, que foram privatizadas no governo anterior, no governo Bolsonaro, e que infelizmente tiraram a possibilidade da Petrobras acessar diretamente o consumidor final e, consequentemente, a nossa população ter acesso a preços mais justos ainda. E o que ocorreu nesse período foi o acesso a distribuidoras e a revendedoras de combustíveis de organizações criminosas, como a que foi citada aqui, e que aproveitam a oportunidade da margem de lucro muito alta para poderem lavar dinheiro. Se tivéssemos ainda a Petrobras distribuidora, a Liquigás, esses preços seriam mais baixos e não gerariam uma margem de lucro muito grande que dá essa possibilidade de lavar dinheiro por organizações criminosas”, explicou Deyvid que também é pré-candidato a deputado federal nas eleições de 2026.
“Urge muito que tenhamos aí de volta a Petrobras distribuidora, que é a BR distribuidora, e a Liquigás, ajudando no controle de preços no mercado brasileiro”.
Operação da PF mira políticos do Centrão em esquema bilionário do PCC em combustíveis
