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Durante visita à Rússia, Lula rebate críticas sobre ritmo de investigação de fraudes no INSS

Presidente Lula - Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Em declarações durante sua visita oficial à Rússia neste sábado (10), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que a investigação sobre as fraudes no INSS está sendo conduzida com rigor e sem pressa por parte do governo federal. Questionado sobre críticas à demora nas apurações, o presidente defendeu o trabalho da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Polícia Federal (PF).

“Eu não tenho pressa. O que eu quero é que a gente consiga apurar para contar ao povo brasileiro a verdade e somente a verdade”, disse Lula, que evitou especular sobre prazos. “Se tivesse feito um carnaval há um ano, possivelmente poderia ter parado no carnaval, como acontece em todas as denúncias. Você faz um show de pirotecnia numa semana e na outra se esquece”, completou, em referência a operações midiáticas.

Sobre o ressarcimento aos aposentados que tiveram descontos indevidamente, Lula afirmou que o processo depende da conclusão das investigações. “O que eu sei é que eles não terão prejuízo”, garantiu. Na sexta-feira (9), o INSS anunciou a devolução de R$ 292,6 milhões referentes a descontos irregulares ocorridos em abril.

O presidente também vinculou o esquema de fraudes ao governo de Jair Bolsonaro (PL), sem citar nomes. “Vocês sabem quem governava o Brasil em 2019, quem era ministro da Previdência em 2019, quem era chefe da Casa Civil em 2019”, afirmou. “É por isso que vamos a fundo para saber quem é quem nesse jogo e se tinha alguém do governo passado envolvido.”

Além do tema do INSS, Lula comentou sua agenda na Rússia, onde participou das comemorações do Dia da Vitória, que marca o fim da Segunda Guerra Mundial. O presidente revelou ter conversado com o líder russo, Vladimir Putin, sobre a guerra na Ucrânia, mas não detalhou o conteúdo do diálogo.

“Defendo a paz e o diálogo”, disse Lula, reforçando sua posição de neutralidade no conflito. A viagem ocorre em meio a críticas de países ocidentais, que acusam a Rússia de crimes de guerra na Ucrânia. O governo brasileiro, no entanto, mantém sua política de não alinhamento automático com nenhum dos lados.

Enquanto isso, a investigação sobre o esquema no INSS segue em curso, com a expectativa de que novas medidas sejam anunciadas nos próximos dias. A CGU e a PF trabalham para identificar todos os envolvidos, incluindo possíveis conexões com gestões anteriores.