A complexa estrutura de poder político e militar do Irã frequentemente confunde observadores externos. O sistema iraniano combina líderes eleitos com clérigos nomeados e generais poderosos, criando uma teia institucional única. Conselhos não eleitos exercem imensa influência sobre assuntos do Estado. Esses órgãos, no entanto, são monitorados por instituições eleitas ou semi-eleitas. Para compreender o país, é fundamental conhecer os protagonistas em Teerã.
No topo dessa hierarquia está o aiatolá Ali Khamenei, a mais alta autoridade da nação. Como líder supremo, ele detém poder direto ou indireto sobre política externa e interna. Khamenei nomeia os chefes da mídia estatal e do Judiciário, por exemplo. O artigo 110 da Constituição descreve seus deveres, como declarar guerra e paz. “Ele também é responsável pela mobilização das Forças Armadas”, conforme detalha o texto constitucional. Sua palavra é final em todos os assuntos estratégicos do Estado.
A hierarquia também conta com a Assembleia dos Peritos, um órgão composto por 88 clérigos islâmicos. Eles são encarregados de nomear e supervisionar o líder supremo, podendo destituí-lo se necessário. Os membros são eleitos pelo voto popular a cada oito anos, mas apenas clérigos podem concorrer. Ali Khamenei foi nomeado por este órgão em 1989, após a morte do aiatolá Khomeini. A aprovação das candidaturas, no entanto, depende do poderoso Conselho dos Guardiães.
O presidente Masoud Pezeshkian, eleito em julho de 2024, é o segundo oficial mais graduado do país. Conhecido por sua postura moderada, ele prometeu retomar negociações com o Ocidente. Pezeshkian também quer responder ao descontentamento público desde a morte de Jina Amini. Apesar de gerenciar o cotidiano do governo, seu poder é limitado pelo líder supremo. “Os presidentes não podem passar por cima do líder supremo em questões de importância estratégica”, destacam analistas. Sua administração frequentemente enfrenta resistência de instituições conservadoras.
Completando o quadro de poder, a Guarda Revolucionária (IRGC) domina setores vitais. Fundada após a revolução de 1979, a organização evoluiu de uma milícia para uma força militar paralela. Estima-se que a Guarda controle de 20% a 40% da economia iraniana atualmente. “Sob o comando do líder supremo, os papéis políticos e de segurança da IRGC se expandiram significativamente”, afirmam especialistas. Sua força Quds supervisiona operações regionais, enquanto a milícia Basij monitora a dissidência interna. O Parlamento, ou Majlis, também reflete essa influência militar crescente em sua composição.
Com informações do Portal DW
