
O governo da Espanha negou ao exército dos Estados Unidos o uso das bases militares espanholas de Rota e Morón para os ataques contra o Irã. A decisão foi anunciada pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez, forçando a retirada dos aviões-cisterna KC-130 do território espanhol. Essas aeronaves são essenciais para reabastecer os bombardeiros envolvidos na ofensiva do eixo EUA-Israel.
O ministro das Relações Exteriores espanhol, José Manuel Albares, enfatizou a posição do governo. “As bases militares espanholas não serão usadas para nada que não esteja no acordo [com os EUA]”, afirmou Albares. Ele completou que também não serão utilizadas “para nada que não esteja coberto pela carta da ONU”. Dessa forma, a Espanha reafirma seu compromisso com a legalidade internacional.
Como resposta, o governo Trump já deslocou suas aeronaves para bases na França e na Alemanha. Segundo a agência Reuters, esses países, assim como o Reino Unido, já expressaram disposição para apoiar a agressão. Analistas lembram que não é a primeira vez que a Espanha toma essa posição. Em 1986, o então primeiro-ministro Felipe González negou a Ronald Reagan o uso das bases para bombardear a Líbia.
Albares reforçou a necessidade de moderação no cenário internacional. “A voz da Europa neste momento deve ser de equilíbrio e moderação”, declarou o ministro na segunda-feira. Ele defendeu o trabalho “para a desescalada e o retorno à mesa de negociações”. A decisão espanhola foi elogiada por figuras como a ex-deputada irlandesa Clare Daly. “A Europa deveria fechar todas as bases americanas em seu território”, conclamou David Adler, da Progressive International.