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Estudo aponta que Covid-19 pode causar inflamação cerebral mesmo após fim da infecção

Pesquisadores chineses descobrem novo coronavírus em morcegos - Imagem Unsplash

Mesmo após o fim da febre e a eliminação do vírus do organismo, a Covid-19 pode continuar provocando impactos no corpo — especialmente no cérebro e nos pulmões. É o que aponta um novo estudo da Universidade de Tulane, divulgado na revista científica Frontiers in Immunology, que investigou os efeitos prolongados da infecção em comparação com a gripe.

A pesquisa acompanhou camundongos por até 28 dias depois da contaminação. Embora tanto o vírus da gripe quanto o SARS-CoV-2 tenham causado inflamação persistente e sinais de fibrose pulmonar, apenas o coronavírus foi associado a alterações significativas no cérebro. Segundo o microbiologista Xuebin Qin, autor principal do estudo, os danos pulmonares foram semelhantes nas duas infecções, mas os efeitos cerebrais de longo prazo apareceram exclusivamente nos animais que tiveram Covid-19.

Um dos principais achados foi a presença de inflamação cerebral mesmo quando o vírus já não era mais detectado no tecido nervoso. Os pesquisadores observaram micro-hemorragias e ativação prolongada de células inflamatórias no sistema nervoso dos camundongos infectados pelo SARS-CoV-2 — alterações praticamente inexistentes nos casos de gripe.

Além disso, a análise genética do tecido cerebral revelou mudanças em vias relacionadas à serotonina e à dopamina, neurotransmissores essenciais para regular humor, energia e cognição. Essas alterações podem ajudar a explicar sintomas frequentemente relatados por pacientes com Covid longa, como fadiga persistente, dificuldade de concentração e a chamada “névoa mental”, caracterizada por lapsos de memória e sensação de raciocínio lento.

Nos pulmões, os dois vírus provocaram inflamação prolongada e acúmulo de colágeno, proteína associada à formação de cicatrizes que podem dificultar a respiração. No entanto, houve diferença na recuperação: após a gripe, os pulmões ativaram mecanismos mais eficientes de regeneração, enquanto na Covid-19 essa resposta foi mais limitada, com manutenção de processos inflamatórios e de coagulação.

Os pesquisadores afirmam que os resultados reforçam a hipótese de que a Covid longa tem base biológica mensurável, e não apenas fatores subjetivos. Embora o estudo tenha sido realizado em modelo animal, os achados dialogam com pesquisas clínicas que identificam inflamação persistente e queda no desempenho cognitivo em parte dos pacientes após a infecção.

Atualmente, não há tratamento específico para a Covid longa. O acompanhamento é individualizado e focado nos sintomas. Especialistas recomendam que pessoas que apresentem cansaço extremo, alterações de memória, dificuldade de concentração ou mudanças de humor por mais de quatro semanas após a infecção procurem avaliação médica para investigação e orientação adequada.