O presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB) e prefeito de Andaraí, Wilson Cardoso (PSB), afirmou em entrevista nesta segunda-feira (2) que a mobilização dos 417 prefeitos baianos foi decisiva para conter a alta dos cachês nas festas de São João. A declaração foi dada durante assinatura de nota conjunta entre Ministério Público da Bahia, Tribunal de Contas dos Municípios (TCM), Tribunal de Contas do Estado (TCE) e UPB, que orienta as prefeituras sobre contratações artísticas e despesas relacionadas aos festejos.
“O que mais me alegra é que isso foi um movimento dos 417 prefeitos e prefeitas. Eles perceberam que da maneira que estavam caminhando ia inviabilizar as festas juninas, com cachês que triplicaram, quadriplicaram, de um ano para outro”, afirmou. Segundo ele, havia concentração de mercado: “Alguns escritórios, dois ou três no Brasil, estavam formando cartel, tipo assim, eu vou cobrar um milhão e duzentos, mas esse escritório tem mais de oito, dez artistas, você cobra um milhão, você cobra novecentos mil”.
Wilson também destacou que houve municípios com dificuldades financeiras após o São João do ano passado. “Tem municípios que em função do São João do ano passado teve problemas com suas contas públicas. Até hoje tem município que parcelou a festa junina e cachê de bandas”, disse. Ele afirmou que houve entendimento para limitar valores: “No Nordeste, oito lugares tirando a Bahia, queriam um cachê de 500 mil. Nós trabalhamos para ficar a 700 para aqueles municípios que já tem tradições grandes de festa, como Santo Antônio de Jesus, Cruz das Almas, Senhor do Bonfim e Jequié, para que eles pudessem continuar fazendo sua festa”.
Por fim, o presidente da UPB defendeu a valorização da cultura regional. “Agora o mais importante que eu queria ressaltar aqui foi o entendimento dos prefeitos de valorizar a cultura regional, de valorizar o nosso pé de serra, as nossas bandas, o Nordeste. O dinheiro vai circular por aqui mesmo. Nós entendemos que o turista hoje procura, olha o município que tem o pé de serra, ele procura o município que tem o pé de serra, o turista não quer ver festa eletrônica”, concluiu.
*Com informações da repórter Sandra Mercês
