A Operação Overclean, da Polícia Federal (PF), alcançou nomes ligados à Prefeitura de Salvador ao investigar um esquema de fraudes em licitações e lavagem de dinheiro. A empresa Larclean, contratada para serviços de limpeza, está no centro das apurações e recebeu R$ 48.893.897,84 milhões entre 2021 e 2024, já na gestão do prefeito Bruno Reis (União Brasil). O valor é mais que o dobro do registrado nos três anos anteriores. A PF aponta que os contratos foram obtidos com ajuda de servidores municipais e favorecimento em editais públicos.
Segundo a investigação, houve direcionamento de licitações principalmente nas secretarias de Educação e Saúde. Os contratos teriam sido manipulados para restringir a concorrência e garantir a vitória da Larclean, que aparece como peça-chave no desvio de recursos. Documentos indicam que parte dos serviços contratados sequer foi realizada, e que a empresa também servia para esconder a origem do dinheiro desviado. A Controladoria-Geral da União aponta prejuízo superior a R$ 8,4 milhões apenas em um dos contratos.
Entre os investigados está Flávio Henrique de Lacerda Pimenta, ex-diretor da Secretaria de Educação, preso pela PF com R$ 700 mil em casa. Ele foi exonerado após a prisão. Outro nome em destaque é o empresário Samuca Franco, apontado como possível operador financeiro do esquema. Apesar de não haver transferência direta entre ele e a Larclean, a investigação encontrou R$ 500 mil repassados por uma empresa de fachada ligada ao grupo.
Franco mantém relação próxima com o prefeito Bruno Reis e chegou a ser chamado de “irmão” em evento público. Os dois são sócios desde 2022 em uma empresa do setor imobiliário, e testemunhas relataram que o prefeito teria usado um imóvel adquirido por Franco em um condomínio de luxo. A PF estima que o grupo investigado movimentou R$ 1,4 bilhão em contratos suspeitos com governos municipais, estaduais e federal.
