Em discurso na Assembleia Geral da ONU, o chanceler Mauro Vieira fortaleceu a posição do Brasil na Celac pela união regional contra ingerências externas e anunciou proposta de grupo de trabalho estratégico.
O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, defendeu com veemência a união dos países da América Latina e do Caribe para garantir o respeito à soberania regional. Durante a Reunião de Chanceleres da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), em Nova York, o chanceler brasileiro propôs a criação de um grupo de trabalho para conferir sentido estratégico aos diálogos da região com outras nações.
Em seu discurso na Semana de Alto Nível da ONU, Vieira foi contundente ao criticar o que chamou de “ressurgência do passado”. “Não podemos admitir intervenções externas, sob nenhum pretexto. Permitir medidas de intimidação, sem nenhuma reação coletiva, seria um convite permanente a novas ingerências”, afirmou o ministro, em referência indireta a movimentações militares estrangeiras, como o envio de forças dos EUA à costa da Venezuela. Ele alertou que designar grupos criminosos como alvos terroristas pode criar um “precedente perigoso” para agressões arbitrárias.
Além da defesa da soberania, Mauro Vieira destacou o papel da Celac como foro essencial para avançar em pautas regionais cruciais, como o combate à fome e à pobreza, a promoção do desenvolvimento e a integração infraestrutural. “A agenda externa da Celac no atual contexto internacional adquire uma relevância singular para projetar a voz e os interesses da região”, disse, reforçando a necessidade do grupo de trabalho estratégico.
O chanceler também manifestou apoio a que o próximo secretário-geral das Nações Unidas, cargo com eleição prevista para 2026, seja um cidadão da América Latina e do Caribe. A defesa, segundo ele, visa fortalecer um sistema internacional “mais justo, inclusivo e representativo”. A Celac, fundada em 2010, reúne os 33 países da região para promover diálogos sobre temas de interesse comum.
