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Crise na Câmara: ação de Hugo Motta contra Glauber Braga gera denúncias de autoritarismo

Lídice da Mata e Jandira Feghali - Fotos: Chico Ferreira e Wesley Amaral

Câmara dos Deputados, Hugo Motta e Glauber Braga foram os principais termos que dominaram o debate político após a tarde desta terça-feira (09), marcada por um dos episódios mais tensos da história recente do Parlamento. O deputado Glauber Braga (PSOL-SP) ocupava a cadeira da presidência como protesto à votação de sua cassação, quando uma ordem direta de Hugo Motta (Republicanos-PB) autorizou a Polícia Legislativa a removê-lo à força.

A decisão desencadeou, segundo parlamentares, uma sequência de atos autoritários inéditos no plenário. As deputadas Lídice da Mata (PSB-BA) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ) afirmaram que a postura do presidente da Casa rompeu protocolos democráticos e criou um precedente grave para o funcionamento da Câmara.

Lídice classificou a operação como um episódio “gravíssimo, inédito e inaceitável”. A parlamentar, que lidera a bancada baiana, criticou o uso de “extrema violência” contra Glauber e contra jornalistas que acompanhavam a sessão. Ela também destacou que, quando deputados de direita ocuparam a mesa diretora em outras ocasiões, a resposta da segurança foi “consideravelmente mais branda”, segundo suas palavras.

A controvérsia aumentou após a retirada obrigatória da imprensa do plenário. Jandira Feghali acusou Hugo Motta de censura ao ordenar o corte do sinal da TV Câmara e a saída dos profissionais de comunicação. “A imprensa foi violentamente retirada de dentro do plenário, com jornalistas agredidos. E eu pergunto: por quê? Com que direito se transforma uma sessão pública em uma sessão secreta, sem deliberação do plenário? Foi o que aconteceu”, afirmou a deputada.

Feghali cobrou ainda explicações sobre a falta de ação da presidência quando parlamentares de extrema-direita ocuparam a mesa por dois dias, sem qualquer punição. Para ela, a diferença de tratamento revela seletividade política e ameaça o equilíbrio democrático. Hugo Motta ficou visivelmente desconfortável com a manifestação de Jandira. Veja vídeo.

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) também criticou duramente as decisões adotadas pelo presidente da Câmara, destacando as agressões sofridas por profissionais durante a cobertura. A entidade classificou a intervenção como um ataque à liberdade de imprensa e à transparência das instituições públicas.

Nota da Fenaj

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalista Profissionais do Distrito Federal (SJPDF) repudiam veementemente o episódio de violência contra profissionais da imprensa na Câmara dos Deputados, na tarde desta terça-feira (9), e o desligamento do sinal da TV Câmara, que transmitia ao vivo os acontecimentos no Plenário da Casa. Diversos relatos dão conta de profissionais agredidos por policiais legislativos.

A Fenaj e o SJPDF consideram extremamente grave o cerceamento ao trabalho da imprensa e à liberdade e ao direito de informação da população brasileira. Ainda mais lamentável e absurdos os episódios de agressões físicas a profissionais da imprensa. As entidades cobram explicações do presidente da Câmara, Hugo Motta, e responsabilização do mesmo e de todos que agrediram jornalistas por este sério atentado a um importante pilar da democracia brasileira.

Ao mesmo tempo, as entidades se solidarizam com os e as colegas trabalhadores da imprensa, bem como com as e os parlamentares que foram agredidos pela Polícia Legislativa ao tentar barrar mais um dos tantos absurdos que a Casa tem pautado nos últimos dias.

Não podemos admitir que medidas autoritárias, que remontam às vividas em um período não tão distante durante a ditadura militar, sejam naturalizadas e se repitam em nosso Congresso Nacional – que deveria ser a casa do povo e não de quem ataca os direitos da população. Seguimos atentos e acompanhando os desdobramentos desse lamentável e absurdo episódio.

A Fenaj e o SJPDF não aceitam mais a volta do período de ataques diários contra os jornalistas que cobrem os poderes em Brasília. Não aceitamos a volta aos ataques à nossa democracia. Que todos condenados pela tentativa de golpe de estado cumpram suas penas. Sem anistia!