O presidente da Federação das Indústrias do Estado da Bahia (FIEB), Carlos Henrique, apontou os principais entraves ao desenvolvimento industrial do estado e afirmou que grande parte das dificuldades enfrentadas pela Bahia está ligada a fatores nacionais, conhecidos como custo-Brasil, e não exclusivamente a problemas locais.
Ao comentar, nesta quarta-feira (17), um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Carlos Henrique explicou que a pesquisa tem abrangência nacional e inclui a Bahia dentro de um contexto mais amplo. “O trabalho que a CNI fez foi um trabalho nacional que inclui a Bahia dentro da sua pesquisa. A Bahia não é diferente dentro desse trabalho da CNI em relação ao resto do Brasil, até porque alguns fatores são nacionais”, afirmou.
Entre esses fatores, ele citou a taxa de juros, que impacta diretamente os investimentos. “A taxa de juros, por exemplo, é um indicador nacional. A Bahia não tem uma taxa de juros maior do que outros estados, é a mesma taxa de juros”, destacou.
Apesar disso, o presidente da FIEB reconheceu que existem diferenças regionais, especialmente em áreas estruturais.
“Nós temos a questão de energia, de infraestrutura, há, sim, comportamentos diferentes entre estados. Talvez a Bahia tenha mais, tenha menos, comparado com outros estados”, disse.
Outro ponto ressaltado foi o excesso de burocracia, que, segundo ele, encarece a atividade produtiva e afasta investidores.
“Temos a questão da burocracia, do excesso de burocracia, que também onera o investidor”, afirmou. Carlos Henrique também mencionou os custos relacionados à mão de obra, que envolvem encargos tributários e previdenciários. “Temos a questão da mão de obra, do ponto de vista de um cargo tributário, previdenciário, que também é nacional. Então, assim, são fatores que tendem a ser muito proporcionais em cada estado.”
Para o dirigente, a Bahia possui desafios específicos que exigem atenção especial, principalmente na área de infraestrutura.
“Eu entendo que a Bahia tem alguns componentes específicos que merecem de nós a preocupação para reduzir o que também não deixa de ser custo-Brasil, a questão da nossa infraestrutura”, explicou. Ele citou problemas logísticos conhecidos no estado. “Na Bahia, nós temos problemas, como foi já dito, na questão da ferrovia, da rodovia, da conexão desses sistemas com a questão portuária, nós temos a questão da energia, nós temos a questão da água e esgoto.”
Nesse ponto, Carlos Henrique destacou experiências de outros estados como possíveis referências. “Tenho visto vários estados, agora está Pernambuco, um processo de formar uma gestão privada para aumentar os investimentos em água e esgoto, porque isso reduz o custo da sociedade e especialmente das indústrias”, observou.
